Atirador de Goiânia se referia a Bolsonaro como “futuro presidente”, diz revista

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O jovem assassino era conhecido por ser um dos alunos mais inteligentes da turma. Os colegas o descrevem como alguém bastante introvertido que andava sempre calado e de cabeça baixa. Nas poucas vezes em que falava, era sobre jogos de videogame e coisas da internet. Apesar do bom desempenho do estudante, seus pais foram chamados duas vezes à escola entre 2016 e 2017. No início do ano passado, a diretoria recomendou que eles procurassem um psicólogo que pudesse ajudar o filho a vencer a timidez. Ele chegou a fazer sete sessões de terapia, mas parou depois de a psicóloga dizer aos pais que o rapaz não tinha nenhum problema e que era “promissor”. No início de 2017, professores voltaram a chamar os pais porque notaram que ideias estranhas estavam começando a aparecer na cabeça do garoto. Nas redações, passou a exibir um viés exageradamente radical, fora do comum para a idade.

Em um trabalho sobre ética, louvou o regime militar, desenhou suásticas em folhas de caderno e nos próprios braços. Os policiais encontraram o símbolo nazista riscado na madeira da cama do jovem. Na escola, colegas relatavam que ele dizia admirar Adolf Hitler. A advogada da família, Rosângela Magalhães, afirmou que os parentes desconheciam a simpatia do adolescente por Hitler, mas confirmou seu hábito de desenhar suásticas, apesar de declarar que isso não passava de “brincadeira de menino que quer se fazer de mau mas não sabe direito o que o dístico significa”. No entanto, não era apenas uma brincadeira.

VEJA teve acesso com exclusividade a uma troca de mensagens via Skype, ocorrida entre abril e outubro deste ano, em que o garoto tentava convencer um de seus colegas de que o Holocausto era uma invenção e Hitler não dizimara os judeus da Europa. Municiado de links que levavam a sites de notícias evidentemente falsas, tentou argumentar com o amigo que o nazismo fora positivo para a humanidade. Compartilhou fotos e vídeos sobre “os benefícios do nazismo” e “a farsa do Holocausto”, além de discursos do Führer. Diante da descrença do colega, chamou-o de “ignorante”. Em outra mensagem, o interlocutor lhe pede que não fale sobre nazismo na frente de sua família. “Vc não pode xingar nem falar de Hitler na minha casa, ok?”. “É claro, eu jamais faria isso. A culpa não é minha se sua mãe acha que o Holocausto é real”, respondeu ele. “Tá, mas não discute com a minha mãe, senão você nunca volta para minha casa, ok?” “O quê? Eu discuti com sua mãe comunista? Eu nunca faria isso.” Nas trocas de mensagens, o adolescente também defende outros ditadores (Augusto Pinochet e Benito Mussolini, entre eles) e mostra-­se admirador do presidente Donald Trump e do deputado Jair Bolsonaro, a quem chama de “futuro presidente”.