Assine o nosso informativo

Privatizações prejudicam até hoje fundamentos da economia brasileira, diz Belluzzo

A respeito das contas externas do país, o economista lembrou que as contas externas apresentaram em 2011 um déficit de 52,6 bilhões de dólares, o equivalente a 2,12% do PIB, ante 30,3 bilhões no ano anterior. De acordo com o Banco Central, foi o maior resultado negativo desde que a série histórica foi iniciada, em 1947. Belluzzo participa do Fórum Social, em Porto Alegre.

Marcel Gomes / Carta Maior

O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que as privatizações realizadas nos anos noventa prejudicam até hoje fundamentos da economia brasileira, como a entrada e saída de divisas e a taxa de investimento.
Belluzzo participou de debate sobre o livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, nesta quarta (25), no Fórum Social Temático.

A respeito das contas externas do país, o economista lembrou que as contas externas apresentaram em 2011 um déficit de 52,6 bilhões de dólares, o equivalente a 2,12% do PIB, ante 30,3 bilhões no ano anterior. De acordo com o Banco Central, foi o maior resultado negativo desde que a série histórica foi iniciada, em 1947.

O buraco na conta corrente foi causado, entre outras razões, pelas remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no país, que somaram 38,1 bilhões no ano passado. De acordo com Belluzzo, o déficit é impulsionado por empresas estrangeiras que compraram companhias públicas nas últimas décadas.

“Isso prejudica muito o balanço de pagamentos, porque toda vez que o dólar se valoriza elas mandam moeda embora”, explicou. O caso é mais grave em empresas do ramo de infra-estrutura, como energia elétrica, hoje parcialmente em mãos estrangeiras.

Essas companhias não geram regulamente dólares para o país, uma vez que não exportam, mas precisam comprar a moeda norte-americana para enviar seus lucros às matrizes.

O professor da Unicamp disse ainda que o Estado brasileiro, ao vender estatais, ainda reduziu a capacidade de investimento do país, uma vez que aquelas empresas eram historicamente responsáveis por boa parte dos gastos em infra-estrutura.

“A dinâmica da economia brasileira começava no Estado, que investia primeiro e depois trazia o setor privado para dentro. Perdemos isso e hoje nossa taxa de investimento, que era de 11% na ditadura, caiu para 2%”, afirmou.

Isto foi postado em Biblioteca, Blog e com as tags ,

Postar um comentário

Seu email nunca vai ser compartilhado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

Você pode usar estas tags HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>