Economia aos soluços? Lula nela

Somente um governo parido de um golpe, sem respaldo popular e nem compromisso com a verdade pode comemorar um PIB de 1% e afirmar que isso significa a retomada da economia. Sob a proteção de uma imprensa submetida aos interesses do mercado financeiro, da população é escondido que a saúde econômica do Brasil segue aos soluços. O comemorado PIB de 2017 se deve única e exclusivamente à inércia provocada pela safra agrícola e ao consumo das famílias, com a liberação de valores de contas inativas do FGTS, no primeiro trimestre.

Essas foram as forças que produziram um crescimento de 0,1%, no quarto semestre. E é a essa taxa que Temer e seu bando chamam de indicativo da retomada da economia. Enquanto a camarilha se mobilizava para desmontar o País, a taxa de investimento registrou queda consecutiva, desde 2014, com destaque para a construção civil, de -5%. Esse foi um dos setores que mais cresceu durante os governos do Partido dos Trabalhadores com o Estado na indução do desenvolvimento. Porém, este está sendo sufocado e sucateado e os empresários não têm a coragem de investir e criar empregos.

As previsões para 2018 são as mais sombrias, como devem ser quando o País está sob o comando de um grupo voltado para servir aos 5% que, no mês, ganham o mesmo que os restantes 95% da população, ou ao 1% que detém 50% da riqueza nacional. O volume das exportações agrícolas não deve se repetir, em 2018, e não haverá liberação de FGTS. Além da asfixia do Estado, pela EC 95, haverá redução salarial provocada pela reforma trabalhista, que precariza as condicionantes das relações de trabalho.

Uma eloquente prova da proteção que a imprensa dá a Temer veio de um grande jornal de circulação nacional, que disse, em sua capa, “desemprego sobe, mas não é desanimador”. Diga isso aos mais de 12 milhões de desempregados e aos 23 de milhões de brasileiros que trabalham sem carteira assinada, em atividades como a venda de marmitas que, sob a administração da camarilha, passou a ser a atividade econômica que gira a roda da economia desta pobre rica nação.

Por mais de 10 anos, o PT criou quase 20 milhões de empregos com carteira assinada, com a mesma Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que Temer acusa de velha e ultrapassada. Em menos de um ano da reforma trabalhista, vergonhosamente aprovada no Congresso Nacional, ocorreram centenas de milhares de demissões de profissionais, de áreas que vão desde a educação à médica, passando pela administrativa.

Muitos desses profissionais foram recontratados sob as novas regras que expõem a classe trabalhadora a precárias e a exaustivas condições de trabalho, aviltantes salários e nenhuma garantia de direitos conquistados durante décadas, com o suor e o sangue de quem produz a riqueza da nação, os trabalhadores. A terceirização das atividades fim, a contratação temporária, o negociado sobre o legislado fará o trabalhador contribuir menos para a Seguridade Social, concorrendo para sua deterioração.

O ano de 2018 será curto e conturbado. Há um país em jogo, onde o seu maior líder popular é covardemente perseguido pelas forças que se utilizam dos poderes do Estado, em conluio com uma mídia para impor a narrativa meritocrática da elite. Esta é apátrida e usurpa o bem público para si. Foi o PT quem combateu uma das mais cruéis características do Brasil, a sua desigualdade social. As políticas de Estado Ampliado deram a oportunidade a cerca de 40 milhões de fazer, regularmente, três ou mais refeições diárias. Em 2012, o PT tirou o País do Mapa da Fome, monitorado pela ONU.
Em menos de dois anos do golpe, Temer conduziu esse gigante produtor de alimentos novamente a esse vergonhoso Mapa.

A asfixia do Estado, a privatização de seus recursos energéticos e de suas empresas estratégicas, haverá infinito contingente de mão de obra para manter uma produção comprometida com os interesses de nações centro de poder, como a China, por exemplo. As chances de crescimento de uma nação que tem a sua autodeterminação abaixo dos interesses de outros povos são nulas. Apenas a ocupação das ruas pode impedir a submissão do Brasil do desenvolvimento de outros povos. A depender do bando de Temer, seremos eternos recordistas de commodities. Às ruas.

Enio Verri é deputado federal pelo PT e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).