Em defesa da justiça, da democracia e de Lula

A sociedade brasileira assiste entre constrangida, perplexa e indignada a feroz perseguição sofrida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O motivo da caçada não é outro senão o fato de ele, apesar da inaudita lawfare que enfrenta, ver aumentar o índice de intenção de votos passar dos 50%. A elite que golpeou a democracia, em 2016, “com o Supremo, com tudo”, não admite entregar novamente o País a um torneiro mecânico que, junto com o Partido dos Trabalhadores e demais forças progressistas, produziu um pequeno, mas o maior avanço civilizatório da história deste País.

O caso Lula alcançou projeção internacional e é criticado por instituições acadêmicas e jurídicas e por personalidades de renome mundial, como os ex-presidentes do Uruguai e dos EUA, Pepe Mujica e Barack Obama. O processo de perseguição contra Lula será examinado pela Organização das Nações Unidas, no segundo semestre deste ano. O processo foi encaminhado à ONU pelo advogado da sua Comissão de Direitos Humanos da ONU, Geoffrey Robertson.

A operação Lava Jato poderia entrar para a história como um importante instrumento de combate à corrupção. Porém, ela foi rechaçada por 40% da população, em 2017, devido ao proselitismo político do Judiciário. O modus operandi do juiz Sérgio Moro é reprovado por 39% dos brasileiros. A imprensa internacional critica a atuação da Força Tarefa. O “New York Times” disse que as acusações contra Lula são uma “farsa”. O francês “Le Monde diplomatique” estampou uma capa histórica, com a cena da execução da justiça, diante de todos os personagens do período pelo que passa o Brasil.

A despeito da inteligência da opinião pública e ao arrepio de direitos fundamentais, agindo à margem da lei, como aponta o advogado Rodrigo Tacla Duran, a operação segue passando em cima da legalidade, para condenar e prender o maior líder da história recente brasileira. Contra Lula não há crimes, não há malas e nem apartamentos com dinheiro, nem valores depositados em contas no exterior. Contra Lula há apenas convicções de um Power Point colegial, pois não há um crime que ele tenha cometido.

A ojeriza da população se acumula em função de injustiças cometidas, a olhos vistos, sob um descarado cinismo estampado na imprensa aliada do golpe. De cerceamento à defesa ao conteúdo do processo que comprova a inocência do presidente, ao uso de documentos falsos, à espetacularização da operação. Os mais recentes laudos de uma perícia realizada pela Polícia Federal comprovaram que os documentos apresentados pelo MPF não estabelecem qualquer ligação entre contratos da Petrobras e o referido imóvel e nem a qualquer vantagem paga a Lula.

Resta agora ao Supremo Tribunal Federal não se apequenar ainda mais, desde que referendou o “tropeço da democracia”. Porém, como disse Lula, é uma instituição acovardada, a própria expressão da sua presidenta. Ela não tem a coragem de levar ao Pleno a matéria da prisão em segunda instância, que afronta Cláusula Pétrea da CF. Porém, é bastante valente para ser despachante de luxo de empresas bilionárias, em convescote para sacramentar a entrega das riquezas energéticas e empresas estratégicas e também para receber o presidente golpista, que está sob investigação.

A julgar pelo cumprimento do roteiro para manter o País como uma gigantesca colônia agrícola, Lula deverá ser preso, e o tribunal de exceção que o persegue fará de tudo para impedir a sua candidatura. Afinal, já foram investidos muitos milhões, quiçá bilhão, para devolver o poder às mãos da população, que pede referendo revogatório de todas as medidas tomadas pela camarilha que assalta o País. A sociedade deve estar ciente de que a prisão de Lula faz parte do golpe. Ela será expedida para impedi-lo de concorrer às eleições. Somente a ocupação das ruas pode cessar essa injustiça. Não podemos aceitar essa injustiça. Desobediência já.