A Estrela sobe e vai se firmando

Enio Verri

Em meio a tanto retrocesso e autoritarismo que assola o País, uma informação positiva, do ponto de vista político, é a crescente preferência dos brasileiros pelo Partidos dos Trabalhadores (PT). Segundo recente levantamento do Datafolha, em abril, eram 15%; em junho, 18% e, em setembro, 19% da população que citaram positivamente o partido. Já o PSDB e o PMDB são preferidos por apenas 4% e 5% dos brasileiros, respectivamente. O resultado da pesquisa é reflexo da memória de um tempo quando a população foi tratada como uma nação soberana.

O País percebe o cada vez mais escancarado conluio entre a elite, parte dos Poderes da República e os grandes veículos de comunicação. A memória de um Brasil melhor, antes do golpe de 2016, provoca a indignação geral pela decepção e humilhação de ser enganado com uma narrativa completamente falsa a respeito do almejado combate à corrupção. A corrupção da camarilha Temer está registrada em malas, gravações, extratos bancários, encontros às escondidas. Além disso, o golpista decorativo sustenta, orgulhosamente, 3% de popularidade. Por muito menos, a imprensa colocou milhões de pessoas nas ruas, para derrubar a presidenta Dilma Rousseff (PT).

A cada notícia, tanto das comprovadas corrupções e da fortuna que envolve desmontar o Estado, a sociedade observa, perplexa e inerte, que para o mercado não faz a menor diferença de quem esteja à frente da camarilha que tomou o Palácio do Planalto, se Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ou quem serve o cafezinho. Mais de 200 parlamentares estão no Congresso Nacional à serviço da iniciativa privada. A ordem é entregar tudo para a iniciativa privada e deixar que o nosso senhor deus mercado regule a economia.

Apesar da criminosa atuação dos grandes veículos de comunicação, que agem deliberadamente para desinformar e confundir quem deles se aproxima, quase 20% da população têm consciência de que os 13 anos dos governos do PT foram os mais avançados social, política e economicamente. O brasileiro médio, ainda que não entenda de estatísticas, sente que os avanços civilizatórios de sair do Mapa da Fome e de ocupar os espaços políticos de decisão estão lhe sendo tirados.

Ele não entende de balança comercial, mas percebe que antes havia mais empregos e com as mesmas leis de 80 anos atrás. A modificação nas relações entre o capital e o trabalho ainda não são satisfatórias para o mercado financeiro internacional, que recentemente reclamou da pouca desregulamentação da atual reforma trabalhista. A terceirização, a restrição de acesso à Justiça do Trabalho, o acordado sobre do legislado são a submissão da classe trabalhadora como peça muda e ainda mais descartável da linha de produção. O PT votou contra a reforma trabalhista.

A imprensa mente sobre a Previdência. Acusam-na de deficitária quando, na verdade, é superavitária, como já demonstrado por dezenas de entidades tributárias do Brasil, como a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), mas devidamente ignorado pela imprensa. A reforma vai precarizar ainda mais a vida dos mais pobres, mais de 70% da população, os que ganham cerca de dois salários mínimos. Essa é a renda de uma pessoa muito pobre. Em geral, o seu meio de vida é braçal e começa na adolescência. É desumano condenar agricultora/es pobres a trabalharem até morrer, pois não vão se aposentar com 70 anos.

Em relação aos 207 milhões, 20% pode não ser muito, mas, em meio ao caos político e econômico que o Brasil vive, atribuído única e exclusivamente ao PT, é um sinal de que oferecer um projeto democrático vale a pena. Em relação à despolitização geral da população, para quem as siglas não passam de uma fedorenta e indigesta sopa de letras, é um ganho, ainda mais quando os outros dois maiores partidos do Brasil estão muito longe da memória popular. É sinal de que: FIES, Minha casa Minha Vida, Ciência Sem Fronteiras, PAC, submarino nuclear, etc., têm a marca indelével da estrela que sobe um pouco mais no conceito popular.

De um modo geral, a população não sabe que o PT é o partido que mais realizou,segundo as propostas que norteiam os seus fundamentos, assentados na Fundação Perseu Abramo. Esses e outros programas, expressos não necessariamente com essas siglas e palavras, desenvolvidos teórica e conceitualmente pelo PT foram concretizados. Os resultados podem ser observados, tanto pelos 40 milhões retirados da fome quanto pelo número de títulos de doutor honoris causa conferidos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sila, por dezenas de renomadas universidades internacionais.

A imprensa nefasta deste País não divulga e não enaltece esses fatos. Pelo contrário, dedica ao Lula dezenas de capas mentirosas, em revistas semanais e jornais impressos; horas, em rádios e telejornais, de acusações difamatórias e sem provas. Não nos iludamos, como disse o grande companheiro Leonel Brizola, se a Globo é a favor, eu sou contra. Devemos observar de que lado está determinada imprensa. Desta forma, percebe-se a quem ela serve. Avante, Estrela, falta muito.