Frentes de luta por justiça e soberania

O golpe de 2016 se dá em várias frentes. A organização da resistência democrática é perseguida e derrotada por decisões do Judiciário, que rasgam a Constituição de 1988, entre outras leis. As medidas, arbitrárias e ilegais, são para evitar que o povo brasileiro restabeleça a soberania sobre suas ricas reservas energéticas e empresas estratégicas para exploração e industrialização desse patrimônio. Além da luta pela liberdade de Lula, outra frente, que envolve todos os brasileiros que não são golpistas, é combater a submissão da soberania nacional a nações centro de poder.

A camarilha sabuja dos Três Poderes, que inscreveu o nome de suas famílias no rol da história reservado aos traidores, que deram um golpe para render sacrifício social ao sacrossanto deus mercado, está produzindo a involução do Brasil. Somos conduzidos, a passos largos, a condições já superamos há décadas, ao tempo que aprofundamos condições ainda longe de solução. Entre outras temeridades, o bando decidiu se desfazer das refinarias brasileiras, para vender óleo cru. Os vendilhões aprovaram uma lei que pode causar, se aprovada no Senado, um prejuízo superior a R$ 700 bilhões.

Além de desmantelar o patrimônio nacional, o consórcio golpista, com o silencioso apoio de parte da imprensa, desinveste no mínimo de avanço civilizatório social. Para garantir o pagamento de juros a banqueiros, Temer cortou verbas em ministérios que, há pouco tempo, foram porta de acesso de minorias a espaços de disputa de decisões políticas, negados por mais de 500 anos a mais de 80% da população brasileira. Os ministérios da Educação, da Ciência e Tecnologia, Cidades, Cultura tiveram cortes da ordem de 32%, 40%, 39% e 39%, em relação a 2017.

Ao mercado, tudo. Temer concedeu R$ 1 trilhão de isenção à petroleira Shell, para ela explorar o petróleo brasileiro. Perdoou R$ 15 bilhões de latifundiários e R$ 10 bilhões de grandes empresários. Já com programas e ações sociais, o golpista decorativo usa da austeridade de um Estado em que não cabem todos. Ele e seus saqueadores cortaram 83,6% do programa Apoio a Tecnologias Sociais de Acesso à Água para Consumo Humano que, em 2016, entregou ao semiárido 1,2 milhão de cisternas e 159 mil tecnologias de apoio à agricultura. Um investimento de centenas de milhões que beneficiou dezenas de milhões de brasileiros, e não meia dúzia de rentistas.

Somente a união da classe trabalhadora, independentemente de cor partidária ou ideologia política pode resgatar a dignidade do futuro de nossas crianças, que está sendo colocado à mercê da China, principalmente, mas dos EUA e alguns países da UE. Ou, ainda, de quem pagar mais. Não se pode esperar compromisso com a nação do programa derrotado, em 2014. Não é à toa que ele foi alçado ao governo por meio de um consórcio sinistro entre os Três Poderes, o mercado financeiro e a mídia.

Nesse sentido, paranaenses e brasileiros devem estar cientes de que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a REPAR, está à venda, desde abril deste ano. E ainda não foi entregue devido à aguerrida resistência dos trabalhadores. Sem luta, Temer entregará uma refinaria com capacidade de processar 33 mil m³ de óleo por dia e que responde por 12% da produção nacional. Mas os problemas não são esses, pelo contrário, são alguns dos atrativos da empresa que outros países vão adquirir.

O problema mesmo está na renúncia, na intransigente recusa do brasileiro de cuidar do que possuiu. Entregar a REPAR é negar a condição humana, de produtora de tecnologia. Os produtos de uma refinaria dizem respeito a uma inumerável cadeia produtiva que consome combustíveis, gás, asfalto, nafta, gasolina, etc. Enfim, estamos abrindo mão de industrializar com tecnologia desenvolvida por nós, que gera empregos mais complexos, no segundo setor da economia, que por sua vez movimenta a produção dos primeiro e segundo setores. É de fundamental se juntar aos petroleiros para garantir a nossa vital soberania. Ou isso, ou a eterna colonização.

A Câmara dos Deputados constituiu a Frente Parlamentar em Defesa das Refinarias e da Petrobras, da qual nosso mandato faz parte e a coordena no Paraná. Ela é formada por parlamentares de vários partidos, representando os interesses da população que mais caro pagará pelo crime de lesa-pátria que o golpe comete contra o Brasil. Fazer da luta dos petroleiros a luta de toda a classe trabalhadora paranaense pode ser o início de uma grande onda de resistência contra a usurpação da soberania nacional. Unamos, urgente.