Guerra ao liberalismo

A sociedade brasileira ainda não compreendeu o que disse Barack Obama, quando declarou que o Brasil é um global player. Ele, uma das pessoas mais bem informadas do mundo, poderia estar se referido apenas ao admirável crescimento do Brasil, ou aos seus recursos energéticos, como os mais de 70 bilhões de barris de petróleo do pré-sal, estimados em U$ 8 trilhões. À cotação do dólar de segunda-feira (4), uma bagatela de R$ 30 trilhões. Foi descoberto, em 2006, sob um mar de desconfiança e desdém dos comparsas internos dos mercados financeiro e petrolífero, que tentaram, em 1998, entregar a Petrobras, e agora o fazem, vendendo-a aos pedaços.

Além de anunciar a riqueza, os governos do Partido dos Trabalhadores investiram na maior empresa brasileira e, em 2008, inicia-se a produção do pré-sal, com cerca de 40 mil barris diários. Seis anos depois já eram 500 mil e, 2016, um milhão de barris por dia. O pré-sal é uma joia que está no cardápio da disputa das nações centro de poder pelo controle das fontes de energia. Ele encerra um excelente equilíbrio entre o valor, um custo de produção de R$ 0,93 e um preço que, no momento, favorece as duas primeiras condições. Porém, quem estabelece preço no mundo não é o Brasil, são os grandes produtores, como a Rússia e a Arábia Saudita.

De qualquer forma a produtividade do pré-sal é estupenda. Em julho de 2017, enquanto o pós-sal produziu 1,322, o pré-sal produziu 1,353 milhão de barris diários. A Petrobras desenvolveu expertise até levar o custo de produção do litro de óleo a menos de R$ 1,00. Foi com essa imensa riqueza que Lula e Dilma fizeram a Petrobras contratar 50% das obras dos governos. Em 2013, 98% da capacidade de produção de nossas refinarias estavam ocupados, o que criava postos de trabalho na mesma proporção. Foi o momento de expansão da indústria naval brasileira, com a construção de refinarias, plataformas, estaleiros e geração de milhões de empregos formais.

Essa riqueza foi gerida por presidentes confiantes na força de nossas empresas e na competência nacional. O governo Lula encomendou à Petrobras 40 embarcações, entre petroleiros e navios-sonda. Também construiu gasodutos, distribuidora de combustíveis, boias de sustentação, entre outras obras equipamentos que produziram avanço tecnológico. O investimento resultou na conquista, em 2015, do maior prêmio que uma offshore do seu porte receber, por desenvolvimento em tecnologia. Ela o recebeu em Houston, no Texas, sob uma saraivada de críticas e ataques da operação Lava Jato e dos meios de comunicação.

Um mês após tomar o governo, à força, Temer nomeia Pedro Parente para Presidente da Petrobras. Ou seja, colocou o PSDBista representante do mercado financeiro e das petroleiras onde ele pôde mudar as políticas de preços, sucatear e fatiar a empresa e entregá-la para quem o paga para fazer isso. Em julho de 2016, Parente entregou, por R$ 8,5 bilhões, dois bilhões de barris que valiam R$ 30 bilhões. Essa é a mentalidade predadora dos tucanos. Depredam o País e o entrega a interesses estrangeiros, como se fossem os donos das empresas e das riquezas.

Em maio de 2017, Parente esbofeteia a sociedade brasileira e entrega a Liquigás Distribuidora ao Grupo ULTRA, por R$ 2,8 bilhões. Apenas o faturamento anual da empresa é de R$ 3,8 bilhões. É o complexo de casa-grande aliado a um atávico sabujismo ao hemisfério norte. O resultado é uma esquizofrenia delirante de uma gente que tem a certeza de que este País lhe pertence. Improdutiva de nascença, entrega ao primeiro estrangeiro que lhe oferecer alguns caraminguás por um trabalhoso poço de petróleo, ou jazidas de ouro e diamantes por demais profundas, ou mesmo incontáveis e mui profundas fontes de água.

Uma classe que nunca trabalhou na vida quer tirar as ferramentas Estatais que a classe trabalhadora tem par usar no desenvolvimento da nação. Aplicar uma covarde política de Estado Mínimo, com a crença na meritocracia, em um país recém-saído de 400 anos de escravidão não resolvida, em quase 130 anos de República, é uma proposta saída da casa-grande. A nação não pode esperar que se vá alterar a política de preços dos combustíveis, ou que o desmonte da empresa cessará sem que as ruas estejam tomadas de indignação contra os vendilhões do País. O liberalismo não vai recuar de dominar a nossa soberania, a nossa capacidade e obrigação de escolher o futuro da nação.

Pesquisas apontam que 60% da população são contra a privatização das empresas brasileiras. Esse contingente deve se organizar em casa, na vizinhança, no trabalho, na escola, em todos os lugares de socialização e colocar a pauta em debate. A prática de politizar é necessária para surgir as táticas de combate aos ataques à soberania nacional e, a médio e longo prazo, as estratégias para restituir e manter os Estados Democrático de Direito e de Bem-estar Social. O petróleo e a empresa são nossos e temos a obrigação de defendê-los dos interesses de outros povos.