Mais uma traição de Beto Richa

O conjunto da obra do governo Beto Richa será uma extensa ficha corrida de escândalos, com provas, de corrupção e truculência contra a população do Paraná. Desvio de recursos financeiros, passando por pedofilia e a característica truculência de governos sem apoio popular e ajoelhados para os compromissos com o mercado financeiro até chegar ao intencional desmonte para venda das imprescindíveis ferramentas de desenvolvimento, como as escolas e universidades.

A última traição de Richa ao Paraná foi escancarada pela Operação Integração, por meio da qual se revelou um superfaturamento de 400% no pedágio das estradas estaduais. Richa espolia o bolso e a dignidade da população. A despeito da recomendação do TCU, de reduzir a tarifa em 18%, o governador reajustou-a em 25%. Enquanto em outro estado o custo da tarifa média por quilômetro é de R$ 0,04, a empresa que atua no governo Richa, cujo contrato foi reiteradamente renovado, cobra R$ 0,13. Um governo que age deliberadamente para lesar a população.

A política de Richa é idêntica à da camarilha que dilapida o País, desde o golpe de 2016. Não foi à toa que Richa, covardemente, arrancou o sangue da população para tomar-lhe uma Previdência de R$ 8,5 bilhões e esvaziá-la, desmantelá-la e vendê-la à carteira de seguridade e de saúde dos bancos. A maior parte da população ficará alijada do acesso à saúde e à aposentadoria. Assalariados não terão como arcar com os planos oferecidos pelo mercado da doença. É uma política que atenta contra a vida.

Richa apoia e copia uma política que vai matar, em médio prazo, contingentes populacionais de pobres, principalmente de velhos. As tão precárias condições de vida se tornarão ainda mais severas para transitar por esse delicado período da vida. Até a mais miserável das pessoas contribui para a manutenção de uma das mais estudadas Seguridades Sociais do mundo quando ela compra um pão e contribui para a COFINS, por exemplo.

Cobrar R$ 20,50 num determinado trecho, quando ele custaria, sem o superfaturamento, R$ 5,00, não é nada para um governo que age com deliberada intenção de privatizar a Seguridade do Paraná e deixar centenas de milhares de cidadãs e cidadãos à própria sorte, ou à mercê de missões religiosas. O que justifica essa disparidade? Fica caracterizada a intenção de prejudicar a população, desde a que viaja a passeio até o setores produtivos que escoam os bens de consumo pelas estradas e transferem o valor do pedágio para os produtos. O consumidor paga o pedágio duas vezes.

Esse escárnio com a população não pode ser esquecido. Assim como não deve ser esquecido o desaparecimento de R$ 20 milhões destinados à construção e reformas de escolas, sem qualquer satisfação do governo, como se o recurso fosse dele. A população não pode esquecer que esse governo impediu a dezenas de milhares de estudantes de acessarem uma das mais perigosas maneiras de emancipação política, os estudos. Essa é a marca que Richa deixará de lembrança aos paranaenses, a lama da traição.

As concessionárias não realizam obras contratadas e, ainda assim, são autorizadas a reajustar as tarifas. Onde estava o governador, em alguma corrida de 500 milhas? O ódio e o desprezo de Richa pela população explicam permitir colocá-la em risco. Mas, o que explica permitir às concessionárias ser negligentes com as rodovias e, ainda assim, reajustar as tarifas? A população deve estar atenta para não repetir o erro de eleger partidos comprometidos com interesses privados. Desde 2011, esse governo oferece farto material para desconstrui-lo. Basta observar quem se beneficia do seu governo.

Richa se torna um cabo eleitoral, no mínimo, indigesto. Um governador cercado de assessores corruptos e um governo a serviço do mercado financeiro. Agentes do Fisco desviaram cerca de R$ 1 bilhão achacando empresários que se prestavam a pagar para terem multas e processos revistos. Um governador que não tem vergonha de sair em público, depois de decretar o fim das seis universidades estaduais. Richa atenta deliberadamente contra a autonomia universitária e a possibilidade de desenvolvimento científico e tecnológico do estado. Paraná, exija, ou não será respeitado.