O Brasil governado por um ministério de notáveis zumbis

Enio Verri

O sangramento de Temer leva o País à insustentabilidade econômica. Os mais de R$ 160 bilhões de déficit primário não serão cumpridos porque não haverá aumento de receitas permanentes. A produção industrial está parada, há mais de 14 milhões de desempregados. O governo, desesperado, ou cínico, comemorou o crescimento de um PIB trimestral eminentemente agrário cuja próxima supersafra será em 2018.

Temer está perdido e sem outra saída que não seja a renúncia. Não tem credibilidade para impulsionar a produção e, por isso, aposta em receitas extraordinárias, como saques de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), taxas e multas sobre verbas no exterior não declaradas e o indecente programa de renegociação de dívidas tributárias (Refis).

A média dos valores sacados do FGTS está entre R$ 500 a R$ 1.500. Devido à conjuntura das famílias mais pobres, esses valores vêm sendo usados para pagar conta ou mesmo se alimentar. Em breve, os cerca de R$ 30 bilhões liberados, até o momento, já se encontrarão em endereço certo, instituições que operam no mercado financeiro, que atendem às demandas de uma das mais cruéis concentrações de renda do mundo.

Entre os mais de 200 milhões de brasileiros, nem 10% têm condições de manter valores não declarados no exterior, cujas cifras nunca são inferiores a milhões. Esse dinheiro não virá para o País, para produzir emprego. Apenas foi declarada a existência. Diferente dos mais pobres, essas receitas, de curtíssimo prazo, serão aproveitadas pela elite cuja produção se encontra em bolsas de valores, sob o nome de juros.

Não há solução de crise econômica sob uma interminável crise política. Recente estudo de uma consultoria aponta que, desde 2014, o PIB per capta, ou seja, a divisão das riquezas do País entre o número de habitantes, caiu 11% frente ao PIB total, cuja queda foi 9%, durante o mesmo período. O ano de 2014 foi quando o PSDB, inconformado, resolveu “encher o saco” da nação com o pedido de cassação da chapa de um governo legitimamente eleito, quando o País já se encontrava em dificuldades financeiras.

O Banco Mundial revisou para baixo a estimativa de crescimento da economia brasileira, que deverá ser de 0,3% e não mais 0,5%, como estimado em janeiro. A média de crescimento das economias emergentes, em 2017 e 2018, será de 2,1% e 2,5%. Somente a produção pode retomar o crescimento econômico e a geração de empregos. Mas Temer não inspira confiança e mente, ao dizer que a recessão acabou.

Em recente evento para grandes empresários, em São Paulo, o CEO da Fiat mundial, Sergio Marchionne, cancelou sua presença ao saber que Temer estaria presente. E nem mesmo no quintal de casa encontra apoio. Em maio, o ilegítimo foi obrigado a cancelar um jantar para aliados, remarcado para o dia seguinte, mas também esvaziado das principais lideranças do DEM e PSDB. Presentes apenas os asseclas de sempre.

O ministério de notáveis de Temer não sabe o que fazer para não ser despachado pelo mercado. A taxa de investimento, no primeiro trimestre de 2017, foi de 15,6% do PIB, a menor desde 1995. Empresários não investem porque não há consumidores. E não há consumidores porque não há empregos. E não há emprego porque não há produção que justifique contratar. O Brasil está paralisado, ou muito perto disso.

Temer não tem condições políticas de quebrar essa espiral negativa, que leva o País ao caos econômico, por capricho de poder e, mais recentemente, pânico de ser preso. Até o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES), Paulo Rabello de Castro, em declaração ao jornal “El País”, disse que a economia deverá crescer, entre 2018 e 2019, sob um novo governo.

Todo o movimento no manejo dos aparelhos que mantêm o desgoverno Temer respirando é, na verdade, uma ação contra a nação, contra os mais pobres, contra um programa de desenvolvimento que retirou o Brasil do Mapa da Fome; que tirou o País da 16ª e o conduziu à 6ª colocação entre as economias mundiais. Enquanto não se fizer o exorcismo político de Temer, a economia não deslanchará e o desemprego vai aumentar. Fora Temer e Diretas já.