O didatismo da greve dos petroleiros

Cada movimento do golpe coloca a indignação brasileira à prova. Os desfechos dos sucessivos escândalos, “com o Supremo, com tudo”, têm revelado que esta nação não faz ideia do que seja soberania nacional. Todos os recursos energéticos deste rico País, bem como suas competências tecnológicas desenvolvidas e produzidas pelos brasileiros, estão sendo pacificamente entregues à nações que os usarão para o desenvolvimento de seus povos. O Brasil se manterá como uma gigantesca e adormecida colônia, fornecedora de matéria-prima, como acontece com o nosso Petróleo, apesar das nossas 15 refinarias e um custo de produção do diesel de R$ 0,93 por litro.

A greve dos petroleiros não foi por aumento de salário. Ela foi em defesa da Petrobras, contra a atual política de preços e a sua privatização. Os grevistas se organizaram para deixar os estoques cheios e não afetar a população. Portanto, foi uma paralisação a favor do Brasil. Mais de 50% da capacidade de nossas refinarias estão subutilizadas. Isso afeta profundamente uma muito extensa e diversificada cadeia produtiva e, portanto, com vasto mercado de trabalho. Todas as indústrias que produzem insumos para as refinarias deixarão de produzir e de gerar empregos.

A política do Estado Mínimo é uma bandeira do PSDB. Sob o comando do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o partido tentou de todas as maneiras, entre os anos de 1997 a 1999, vender a empresa. O sabujismo ao imperialismo americano foi tamanho, que chegou ao absurdo de mudar o seu nome de Petrobras, para Petrobrax, como se ela fosse uma empresa da sua família. Pedro Parente estava à frente do Ministério das Minas e Energia, durante os apagões e o racionamento de energia, no decadente e desmoralizante ocaso dos governos FHC, nos anos 2001 e 2002.

A demissão de Parente seria motivo de regozijo, caso isso significasse a mudança da política de preços e o fim do desmonte da Petrobras. Porém, sua saída, em meio a um pregão de R$ 100 bilhões de barris de petróleo excedentes do pré-sal, gera, no mínimo, desconfiança no jogo geopolítico pela disputa do controle de recursos energéticos. Sua atitude feriu norma do processo e colocou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na delicada posição de emitir relatório de investigação sobre o caso, negando irregularidade. Afinal, ao PSDB tudo é permitido. Está acima da Lei.

Os tucanos entregam 80% do nosso óleo, cru, e atrelaram o seu valor à variação do dólar e à do barril de petróleo no mercado internacional. Essa medida inviabilizará o consumo nacional, paralisará as produções dos três setores da economia e sucateará as nossas refinarias, que serão entregues a preço de banana. A política atende a acionistas minoritários que tinham um presidente trabalhando para eles e não para a empresa. São, em geral, bancos e fundos de investimentos estrangeiros. Como toda greve, a dos petroleiros também foi política. Ela denuncia para o Brasil e para o mundo que a soberania nacional está sob sério risco de ser subordinada a outras nações.

A política de Estado Mínimo com o chapéu alheio, praticada por FHC, é um crime de lesa-pátria. Ele abriu o capital de uma empresa de todos os brasileiros para ser negociada em bolsas de valores, em dinheiro volátil que muda de um país para outro, em minutos, e não produz um parafuso, senão dividendos a seus acionistas. Segundo a política sabuja dos tucanos, esse é o tipo de confiança que os empresários precisam para investir. Compram, com recursos subsidiados pelo Estado, décadas de investimento em desenvolvimento tecnológico, período em que o Estado Ampliado das eras Vargas e do Partido dos Trabalhadores gerou empregos e tecnologia dentro do País.

A greve dos petroleiros nos coloca essa bela lição, oferecida de forma muito didática. Não prejudicou o País, demostrou a força e a pujança da Petrobras, como a maior empresa brasileira e chamou a atenção da população para o ataque que ela sofre por forças internacionais, com a cumplicidade de comparsas locais para viabilizar o saque aos recursos naturais, seja ele água ou petróleo. Impedir a entrega de nossas potencialidades de de nossas ferramentas é tarefa de cada um dos brasileiros. Não à privatização da Petrobras. Ela é brasileira e deve beneficiar o seu petróleo a bem do desenvolvimento do Brasil e não ao de outras nações. Petróleo e empresa são nossos.