O indecente silêncio da imprensa sobre o desmonte da produção científica

Enio Verri

Os investimentos em educação e produção científica e tecnológica são prioridade para 100% das pessoas entrevistadas pelos mais destacados institutos de pesquisa. Associações de ciência e cientistas renomados de todo o País denunciam a plenos pulmões a inviabilização de produção científica a que Temer e sua camarilha estão condenando o Brasil, mas parece que vivemos em total normalidade de investimentos.

A imprensa hegemônica e, por conseguinte, a opinião pública de uma sociedade alienada e apática seguem silentes sobre o corte de 44% dos parcos R$ 6 bilhões para produção científica. Temer e seu bando interrompem bruscamente um processo de crescimento desejável para qualquer país que se pretenda soberano, o do número de pesquisadores em atividade.

Em 2006, eram 90.320, hoje são cerca de 200 mil. Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de 2014 a 2016, houve um aumento de 11% no número de pesquisadores e 6% de grupos de pesquisa.

A demanda para a pesquisa científica aumenta e o governo extirpa a possibilidade do Brasil alcançar autonomia tecnológica sobre inúmeras áreas do saber científico. O próprio CNPq é um dos mais prejudicados. Da previsão de R$ 1,3 bilhão, o órgão terá de se virar com R$ 730 milhões. Um deliberado e aviltante desinvestimento no País.

Temer retira a capacidade de apropriação intelectual brasileira e isso significa divisas internacionais, sob royalties por desenvolvimento tecnológico. O corte produzirá uma reação geral de precarização na prestação de serviços diretamente à sociedade, por centros de pesquisa. A camarilha não apenas envergonha internacionalmente o Brasil, mas compromete sua existência como nação, que estará submetida às denominações das nações que dominam as tecnologias.

O centenário Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) está ameaçado de corte de fornecimento de energia elétrica. Caso isso aconteça, entidades como, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Hospital dos Servidores do Estado; Instituto Nacional do Câncer; Hospital Federal de Bonsucesso, Instituto Nacional de Educação de Surdos, não terão como acessar a internet do Centro. Temer nega R$ 3 milhões ao CBPF.

O único supercomputador brasileiro listado entre as 500 máquinas mais potentes do mundo corre o risco de ser desligado. O Santos Dumont opera com 51 projetos de áreas, como: Engenharia, Física, Ciência da Computação, Meteorologia, Ciências da Saúde, Ciências Sociais, Geociências. Entre outras pesquisas sob ameaça de paralisação, está a do mapeamento genético do vírus da Zika, que matou, em 2016, quase mil brasileiros, e deixou milhares de crianças microcéfalas. Esse é um governo que prioriza a nação?

O estrago é muito maior, são centenas de Institutos federais, museus, observatórios espaciais que fazem parte de acordo de cooperação internacional. Os poucos avanços científicos e tecnológicos conquistados em menos de um século de investimento, mais notadamente durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), estão sendo desconstruídos e parte da imprensa nacional se mantém calada.