Preste atenção no que eu não digo

Segundo o http://livre.jor.br/, o gasto do governo do Paraná com propaganda institucional foi, em 2016, 10 vezes maior que o da publicidade legal. A primeira é a maneira com a qual Beto Richa mente sobre a condição do estado do Paraná e da sua população. A segunda é a divulgação obrigatória de comunicados de órgãos e entidades da administração. Na publicidade legal foram gastos R$ 13 milhões, enquanto que a propaganda institucional consumiu do erário, R$ 131,6 milhões.

Aliás, o somatório dos gastos dos dois tipos de divulgação saltou de R$ 15 milhões, em 2011, para R$ 144,8 milhões, em 2016. De 2012 a 2016, o único ano em que os gastos não alcançaram R$ 100 milhões, foi no ano de 2014, provavelmente devido às restrições de gastos impostos em ano eleitoral.

Em julho deste ano, o governo do Paraná anunciou, como se benesse fosse, o pagamento da dívida de progressões e promoções, de 2015. Richa paga o que é garantido por lei, como se fosse um ato deliberado de generosidade do seu governo. Segundo a APP-Sindicato, há aposentados que não receberam seus direitos quando ainda em exercício de suas funções.

Não é demais lembrar que o magnânimo gesto de Richa é feito com os R$ 8,5 bilhões que ele arrancou da ParanáPrevidência, em 29 de abril de 2015. Os recursos foram retirados com truculenta ação da Secretaria de Segurança do Paraná, sob o comando do então secretário e atual deputado federal, Fernando Francischini (SD), quando 214 servidores públicos desarmados, em sua maioria professores, foram humilhantemente massacrados por balas de borracha, cassetetes e bombas jogadas de helicóptero.

Generoso com os gastos da propaganda institucional, Richa, até o momento, não apresentou uma proposta de pagamento da reposição inflacionária, de 8,5%, devida desde janeiro. No mesmo sentido e, ao contrário da propaganda enganosa, o governador asfixia as universidades estaduais ao bloquear o repasse de verbas próprias das instituições, por meio do sistema de gestão do Executivo, o Meta4.

De uma só tacada, Richa suprime a autonomia das universidades, sucateia o ensino superior e prepara o terreno para a privatização do conjunto de universidades que são referências no cenário nacional. Sem autonomia financeira, as UEs não podem se comprometer com as atividades de ensino, pesquisa e extensão. O governador faz propaganda de que está tudo bem, mas condena o desenvolvimento educacional e a produção científica e tecnológica do estado do Paraná e da população.

Esse é o modus operandi de um governo atolado em denúncias de corrupção, como o da Operação Quadro Negro, que identificou pagamentos do governo Richa a empreiteiras para construção e reformas de escolas que nunca aconteceram. Recente homologação de uma delação premiada revela desvio das verbas para compra de dólares e posterior transferência para o país africano, Angola.