Quem encobre as mentiras dos golpistas?

Enio Verri

A democracia foi suprimida, com o Supremo e com tudo. O País está sendo destruído com as bençãos dos Poderes um dia constituídos para cuidar dos interesses da nação. A economia derrete e o governo golpista só não vende mais rápido o patrimônio nacional devido às incertezas políticas que são Temer e sua notável camarilha, afugentando o capital internacional. O desemprego aumenta, a fome está de volta, as garantias individuais já não existem e estamos, incompreensivelmente, paralisados.

Henrique Meirelles, quem de fato desgoverna este País, avisou que não cumprirá o déficit, que já deve passar dos 200 R$ bilhões. O prejuízo ao Orçamento de 2017 é cerca de 35 bilhões a mais que isso. Resultado de 12 bilhões da desaceleração da economia e da expectativa frustrada de um pacote de receitas que não se cumprirá. Um governo ilegítimo e incompetente espera compreensão da população pelas suas mentiras e os seus dados falsos. É a plena confiança na inação popular.

A primeira etapa do programa de regularização de recursos não declarados no exterior, em 2016, arrecadou menos que os aguardados R$ 50 bilhões. Dos R$ 10 bilhões esperados para a segunda etapa, não vai arrecadar nem R$ 7 bilhões. A desconfiança na ilegitimidade de Temer e asseclas vale o risco de pagar multas sobre o não declarado. Pesquisa do jornal “Valor” revela que o faturamento das 1000 maiores empresas brasileiras recuou 4%, desde a instalação do golpe, em 2016. O golpe está custando caro aos empresários que apoiaram e aos que não apoiaram o golpe.

Houve uma redução de R$ 2,3 bilhões ante aos R$ 28 bilhões aguardados com as concessões. Assim como a venda de ativos será de R$ 3,2 bilhões a menos, a arrecadação com dividendos das empresas deve ser menor em R$ 3,2 bilhões. Além da derrocada nesse tipo de arrecadação, Temer diminui investimentos no que pode tirar o País da crise econômica. Os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sofrem cortes de aproximadamente 60%.

Meirelles declarou diversas vezes que aumento de imposto estava fora de questão. É um governo medíocre, que debate com o empresariado se o PIB vai crescer 0,5% ou 0,34%. Para alcançar qualquer um desses pífios resultados, diante do recuo de receitas estimadas e não cumpridas, o desgoverno aumenta a quota de participação da população na conta do golpe. Corta R$ 5,9 bilhões em investimentos e aumenta a alíquota do PIS/COFINS para arrecadar R$ 10,4 bilhões.

Em outra vertente, com a providencial e indecente colaboração da imprensa no golpe, Temer sonega informação e mente para a nação. Anuncia, como se fosse um grande feito, a estabilização da inflação abaixo da meta. Porém, esconde da população que a inflação baixa é o resultado de 14 milhões de desempregados. Há um recuo na produção de bens de consumo, pois as pessoas não têm como consumir que deveria estar sendo produzido. É uma espiral econômica negativa.

Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 57,6% das famílias estão endividadas. Destas, 24,2% estão em atraso e cerca de 10% sabem que não pagarão as contas atrasadas.

A inadimplência na faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida, para famílias com renda per capta mensal de R$ 1,8 mil está em 35,2%. De acordo com a MP 759, de Temer, a partir de agora, as mais de 280 mil famílias nessa situação podem perder seu único bem, em 90 dias, caso não sejam quitadas as parcelas.

Em breve, veremos centenas de milhares de imóveis de um programa social serem apropriados por parcela da classe média, por meio de leilão público. Ou seja, é a desconstrução do mais importante programa de inclusão habitacional da história deste País. Um desgoverno não é apenas golpista e incompetente mas cruel e desumano.

De um lado, penaliza população mais pobre e, do outro, agrada os empresários com a edição do Programa de Regularização Tributária (PRT), o novo Refis, pelo qual as dívidas serão parceladas em até 180 vezes e com um desconto cuja renúncia fiscal custará R$ 6 bilhões, nos próximos três anos. Esse novo Refis foi aprovado por parlamentares que devem R$ 3 bilhões aos cofres públicos.

Essas são as conjunturas política e econômica do Brasil. Estamos sob um golpe de Estado produzido por parte dos Três Poderes, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da imprensa. Enquanto o País é destruído e entregue ao capital financeiro, a população é espoliada em parcos direitos conquistados a suor e sangue. A imprensa a mantém anestesiada, como se nada estivesse acontecendo. Nesse sentido, as mobilizações locais de politização da população, nas ruas, nos bairros e nos municípios, é mais do que necessária. É urgente.