A reforma da Previdência faz parte do golpe

Uma histórica despolitização impede à maior parte da população compreender que o Brasil está sob um golpe de Estado, à mercê de uma elite apátrida, cujo único projeto de País é ser colônia. A internacionalmente denunciada perseguição a Lula é apenas um dos problemas a se enfrentar. A camarilha Temer quer aprovar a reforma da Previdência, ainda em fevereiro. Portanto, em 20 dias, um sistema previdenciário superavitário, único no mundo e patrimônio dos brasileiros, deverá ser entregue ao capital financeiro, caso a população não reaja e impeça esse crime de lesa-pátria.

Desde as primeiras medidas do golpe, de 2016, Temer e seu bando atentam conta a Previdência, mesmo que indiretamente. A EC 95 asfixia investimentos no desenvolvimento do Estado, por 20 anos, que deixará de abrir obras e gerar empregos. Aprovada em 2017, a reforma trabalhista é outra medida que fere de morte a Previdência. A precarização das condições de trabalho, com o negociado sobre o legislado e a desumana contratação intermitente, gera instabilidade no emprego e salários miseráveis que não permitirão aos assalariados contribuírem para a Previdência.

Com 100% de rejeição popular, Temer apelou para algo tão artificial quanto ele, o carisma de programas de auditório de repercussão nacional e de qualidade duvidosa. Na verdade, apenas um títere cumprindo a agenda do mercado financeiro, de quem é subalterno. Dizer a um auditório e à estupenda audiência do programa que, em três ou quatro anos não será possível pagar os pensionistas é um descarado uso da mentira para fazer um criminoso terrorismo de Estado contra uma população desinformada e desamparada, uma vez que já não pode contar nem com o Judiciário.

A certeza da ignorância popular se observa no uso ostensivo e tenebrosamente performático da figura pública do presidente, com ausência de argumentos verificáveis e eivados de contradições. Não há dinheiro para pensionistas, mas tem para comprar apoio parlamentar. Não pode pagar a quem recebe até dois salários mínimos, mas não cobra mais de R$ 500 bilhões sonegados anualmente pelas empresas mais ricas do País. A camarilha não mexe em aposentadoria de magistrado, de parlamentar, mas em aposentadorias de salários mínimos, ou seja, 50% dos trabalhadores.

A pantomima da cruzada do vendilhão e traidor da nação se encerra no mesmo nível subterrâneo de onde saiu. Segundo ele, para quem puder, ter-se-á de pagar um plano privado de previdência. Os apresentadores, o proprietário da TV e o contratado são empresários milionários, interessados nas reformas trabalhista e Previdenciária. A população deve se perguntar quais foram as vantagens auferidas pelos empresários Sílvio Santos e Ratinho, para oferecer um generoso e camarada espaço a Temer.

O descaramento de Temer só pode mesmo advir da confiança que tem na desinformação geral da população. Segundo ele, umas das simplicidades da reforma se reduz em unir o Regime Próprio (RPPS) e o Regime Geral da Previdência Social (RGPS). O primeiro financia a previdência dos servidores e o segundo faz parte da Seguridade Social, financiada por diversas fontes, como o COFINS, resultados de jogos lotéricos, além do recolhimento dos patrões e dos empregados.

A Previdência não é deficitária, mas superavitária. Para vender a sua mentira do déficit previdenciário, o bando de Temer usa como cálculo apenas as contribuições dos operários e dos patrões. O resultado previdenciário dos últimos quatro anos demonstra que não há déficit. Em 2012, o resultado foi positivo em R$ 82.690 bilhões; em 2013, R$ 76.214 bilhões; em 2014, R$ 53.892 bilhões; em 2015, devido aos reflexos da recessão, o resultado foi de R$ 11,3 bilhões. O déficit não existe e Temer está utilizando veículos comerciais de concessão pública para difundir mentiras e vender a Previdência.

A única coisa certa que Temer disse, nos dois programas, foi pedir para que os telespectadores entrem em contato com os deputados. Também concordo e convoco as pessoas que nos acompanham a entrarem em contato com os parlamentares de suas regiões. Avisem a eles que não receberão o seu voto e os de sua família, caso eles apoiem essa reforma que impedirá os pobres de se aposentarem.

Além de defender a democracia e o direito de Lula disputar as eleições de 2018, os comitês populares têm a tarefa de pressionar os parlamentares em suas bases, em suas cidades, em suas ruas. Aeroportos, tanto o da base quanto o de Brasília, devem se transformar em acampamento popular. É urgente que a população estabeleça uma constante presença na vida dos deputados, dos senadores e dos magistrados, pelo menos até o fim das eleições de 2018. Quem votar a favor da reforma não volta.