Temer quer aumentar jornada de trabalho

Desde a posse do governo interino, em 12 de maio, não se passa uma semana sem notícias reveladoras da indigência a que o Brasil está destinado. Com o apoio do presidente ilegítimo, a mais recente estocada da elite contra a classe trabalhadora veio do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Em reunião com Michel Temer e mais 100 empresários, Andrade afirmou que o Brasil perde competitividade ao adotar 44 semanais de trabalho, quando os mais competitivos e desenvolvidos países adotam 80 horas.

A referência de Andrade é a França, cuja jornada de trabalho é de 36, mas com uma proposta de chegar a 80 horas. O resultado da proposta do governo francês são as ruas ocupadas de operários protestando contra o ataque à dignidade dos trabalhadores.

A quem interessa essa carga excessiva de trabalho em um País cuja concentração de renda é uma das mais indecentes da humanidade? Isso sem falar na sonegação, CARF que o diga. Um Estado cada vez menor e mais privatizado vai economizar em investimento previdenciário público para subsidiar a previdência privada.

É o melhor dos mundos para os proprietários dos meios de produção. E o pior deles para a classe trabalhadora. O trabalhador começará sua jornada às 07:30h e, dependendo da distância entre o trabalho e sua casa, vai chegar por volta das 22:00h, transformando toda a estrutura da sociedade, orientada pela Constituição Federal.

Uma das mais precisas definições para a declaração de Andrade foi a da presidenta Dilma Rousseff. “Horda de bárbaros”. Dilma lembrou que as conquistas trabalhistas são da década de 1950, durante a era Vargas. A declaração é mais um sinal dos tempos que se avizinham.

Fernando Henrique Cardoso tomou posse prometendo superar a era Vargas. Em oito anos, vendeu tudo que pôde, a preços modestos. Símbolo de um crime de lesa-pátria, a Vale do Rio Doce, construída com suor e sangue dos brasileiros, foi entregue, para a perplexidade e indignação dos brasileiros, por R$ 3 bilhões, quando valia R$ 93 bilhões.

Por três vezes, FHC rastejou às portas do Fundo Monetário Internacional (FMI), instituto que hoje reconhece o neoliberalismo como um verdadeiro atraso para qualquer nação. À luz do neoliberalismo, o governo interino acelera o processo de abertura de capital das empresas aéreas brasileiras, promove o enfraquecimento das estatais e a entrega do Pré-Sal, responsável por um investimento de cerca de 100 bilhões para a saúde e educação públicas.

A “horda” reconduz o Brasil aos sombrios anos 1990. Segundo a intenção de Temer, a ordem é “vender tudo o que for possível”. Junte-se a isso, a terceirização e o aniquilamento das relações de trabalho, a redução de 16 para 14 anos a idade mínima para atividade laboral, semana de 80 horas de trabalho e aposentadoria aos 70 anos.

Os 100 empresários presentes à reunião representam não mais de 10% da população brasileira que não têm de trabalhar 44 horas semanais para se aposentar, se conseguir, com um salário mínimo.