Temer tripudia na desgraça alheia

Quando ele diz que o desemprego não está aumentando, mas sim mais pessoas estão procurando trabalho, é coerente com o seu modo de enganar para se manter no poder até terminar de entregar o Brasil aos interesses internacionais. Ele escarnece de um drama que atinge mais de 27 milhões de lares brasileiros, segundo o IBGE, e usa os índices desse flagelo para vender a ideia de que a sua política de desmonte do Estado de Bem-Estar Social resulta no aumento do rendimento médio real do trabalho. Ou seja, ele pinta de cor de rosa a conjuntura econômica para dizer que o trabalhador passou a ganhar mais, em meio ao desemprego e à fome.

Em dezembro de 2015, a taxa de desemprego era de 6,5% e o rendimento médio era de R$ 2.165. Quatro meses depois, já eram 7,8% de desempregados para R$ 2.200 de rendimento médio. Em agosto e dezembro do mesmo ano, o desemprego ficou em quase 9% e o rendimento caiu para R$ 2.140 e R$ 2.118, respectivamente. Em abril de 2016, já sob o golpe, o desemprego dispara a 11%, provocando a redução do rendimento a R$ 2100. Em dezembro desse ano, com o desemprego na casa dos 12%, o rendimento aumentou cerca de R$ 40, devido ao período de Natal.

Já em abril de 2017, com 13% de desempregados, o rendimento médio aumentou para R$ 2.160. Seguiu oscilando até dezembro do último ano, quando o desemprego recuou para 11,8% com um leve aumento do rendimento, para R$ 2.170. Já em fevereiro de 2018, passados dois meses do período de compras de fim de ano, o desemprego era de 13,5% e o rendimento era de R$ 2.120. O fato de o rendimento médio aparecer aumentado nas estatísticas, em meio a uma vertiginosa crise econômica, deve-se a uma estratégia da administração. Quando um empresário se vê obrigado a demitir, ele começa pelos trabalhadores menos qualificados. Portanto, os com salários menores.

Ficam na empresa os trabalhadores mais qualificados. Aqueles que fizeram, por conta própria ou financiados pelos empresários, especializações técnicas, que vão desde a operação de maquinário sofisticado, passando por MBA, até doutorados. São profissionais disputados no mercado, cuja necessidade de recontratação custaria mais caro ao empresário, sem falar no risco de perdê-los e ter de investir em formação de outros. Por óbvio, o rendimento dessa qualificação profissional é superior ao dos trabalhadores menos qualificados, que podem ser recontratados sem maiores custos. São as regras de procura e oferta de mão de obra do mercado.

O fato de o rendimento do trabalhador parecer aumentar é um fenômeno da Economia, revelado pelas condições acima expostas. Quando os órgãos de aferição das condições do mercado fazem suas pesquisas de campo, revela-se o aumento do rendimento médio. O que ocorre é que o rendimento dos mais profissionais mais qualificados se sobressai ao dos menos qualificados, cada vez em menor número. Com esses dados em mãos, Temer revela mais um pouco do caráter cruel da camarilha da qual nem líder é, pois não passa de um golpista decorativo.

Os golpistas de 2016, com o apoio e proteção da mídia, de propriedade do mercado financeiro, usam esses dados para convencer os brasileiros que os altos índices de desemprego estão fazendo as pessoas ganharem mais. É mentira, 1,2 milhão de pessoas voltou a cozinhar com carvão ou lenha. A mortalidade infantil voltou e o motivo não outro senão a fome.

O rendimento médio do trabalhador voltará a se valorizar quando houver trabalho para que a classe trabalhadora volte a consumir, exigir produção e faça a roda da economia girar. O varejo, em queda, de 2014 a dezembro de 2016, estagnou em fevereiro de 2017 e não sai do lugar. A produção industrial tentou uma recuperação, desde abril de 2017, mas rasteja e, agora, a expectativa do setor recuou pelo segundo mês seguido. Já o setor de serviços manteve-se estável desde outubro de 2016, mas os sinais de um irreversível cansaço vêm desde dezembro de 2017. O golpe no Brasil é denunciado no exterior. Falta apenas os brasileiros se informarem disso.