Uma nação à deriva e o ódio ao PT e ao Lula

O Brasil está na iminência de ter de volta um regime autoritário civil-militar. Corre-se o risco de não haver eleições, em 2018. A proximidade da Procuradoria Geral da República com um carteado sinistro em que eram jogadas a condução de delações e investigações revela não apenas o fechamento do roteiro Jucá, mas a instabilidade institucional do País. A nação está entregue à própria sorte, quando os poderes da República estão comprometidos com o golpe que suprimiu as garantias constitucionais.

Um feito possível graças ao alto nível de despolitização e desagregação da população e o uso intensivo dos serviços da pior inimiga dos brasileiros, parte da imprensa nativa. Ela é amplamente usada pela elite mais egoísta e truculenta do planeta para esconder o golpe e detratar o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma ferramenta para controlar a opinião pública, com informação tendenciosa, compartimentada e estanque.

A República foi implodida, o País é entregue aos interesses dos países centro de poder; os mínimos avanços conquistados nos 13 anos dos governos do Partido dos Trabalhadores são pulverizados, não há um poder a quem reclamar e não há ruas ocupadas. Somente uma sublevação popular pode dar um basta a esse processo golpista, mas, estranhamente, a sociedade consente, calada. Ela tem olhos apenas para o PT e o Lula, hiperexpostos negativamente.

Junte-se à alienação, há um ressentimento constrangido de quem seguiu o pato e bateu panelas. O de se olhar no espelho e ver o tamanho das orelhas que lhe cresceram, por não acreditar que era um golpe de Estado para manter o Brasil como um país periférico, refém dos humores do mercado financeiro internacional. Hoje, nem toda corrupção mostrada em malas, caixas e gravações impele a sociedade a se mobilizar, tomar as ruas e de lá sair somente depois de instalada uma constituinte soberana e cidadã.

O Partido dos Trabalhadores (PT) é detratado pela elite desde a sua fundação. A partir de 2005, os ataques se tornaram mais constantes e ferozes, com os serviços da imprensa. Desde então, o partido e os seus quadros foram diuturnamente demonizados. A partir de 2014, iniciou-se uma subterrânea e ostensiva campanha para destruir um dos maiores e mais importantes partidos da América Latina, cujos governos estão entre os anos dos maiores avanços sociais, econômicos, tecnológicos e políticos da história do Brasil.

O sinistro trabalho da imprensa golpista incutiu nas pessoas um ódio cego e figadal contra o PT. Elas não assimilam outra informação que não seja algo negativo contra o partido. Em 154 dias, o Jornal Nacional, da Rede globo, que dura 30 minutos, dedicou 13 horas de matérias negativas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem apresentar uma única prova. Todas as acusações desferidas contra Lula são baseadas tão somente em delações conseguidas por meio da tortura da prisão.

O trabalho dos grandes veículos de comunicação é fazer com que a população não veja e não se indigne com o que a quadrilha de Temer está fazendo. Desde a instalação da notável camarilha, no Palácio do Planalto, há uma diária avalanche de provas materiais contra os golpistas. Mas, para opinião pública guiada pela imprensa golpista, o único assunto que interessa é a delação sem provas de Antônio Palloci contra Lula e a acusação de Janot contra o PT, como célula criminosa.
Mala com R$ 500 mil, mala com R$ 2 milhões, rastreada, R$ 51 milhões em um apartamento, viagem em avião do empresário corrupto que gravou o golpista decorativo, quando este prevaricou ao não dar voz de prisão diante das confissões de Joesley, que afirmou ter procuradores e juízes sob controle. O procurador saiu da PGR e foi trabalhar com o empresário. Mas, até o momento, não se tem notícias de qualquer questionamento ao empresário sobre o nome dos magistrados que ele tem no bolso.

Diante de holofotes que comprometem a menina dos olhos da opinião pública, a operação Lava Jato, O PGR, Rodrigo Janot, não pensou duas vezes em desviar a atenção de uma opinião viciada contra o PT e o Lula. Este encerrava, no Maranhão, uma gigantesca caravana pelos nove estados do Nordeste, onde foi recebido como grande líder que é. Uma acusação já outras vezes apresentada e refutada e uma delação sem provas são mais dignas de veracidade que gravação que explicam muitos processos.

Enfim, detratar Lula e o PT é mais importante que a estabilidade institucional, que as riquezas e as empresas nacionais, que condições mínimas de trabalho, que o direito de se aposentar, que o direito de estudar, de ter acesso à moradia, de ter submarino nuclear, que ter água e luz onde nunca houve, em 500 anos. Até quando a sociedade vai se permitir ser teleguiada por uma imprensa que representa a elite do País?