A declaração de Guedes foi intencional

Durante uma palestra na Fundação Getúlio Vargas, na sexta-feira (7), o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou os servidores públicos de parasitas do Estado que, segundo ele, têm o privilégio da estabilidade e de aposentadorias generosas. Devido à repercussão, Guedes enviou um comunicado à imprensa desculpando-se, dizendo que se expressou mal. Para o deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, o pedido de desculpas não convence quem sabe das intenções do governo Bolsonaro de enviar uma reforma administrativa cujo objetivo é reduzir ainda mais a presença do Estado.

“O pedido de desculpas do ministro Paulo Guedes veio depois de uma saraivada de críticas. De todo modo, a reforma administrativa que Bolsonaro encaminha ao Congresso Nacional é a materialização do que Guedes pensa do serviço público”, afirma Enio Verri.

O Brasil tem 12 milhões de servidores públicos. O percentual, em relação à população total, é de apenas 1,6%. Em países, como Noruega, Dinamarca e Suécia, o percentual é de 30%, 29,1% e 28,6% respectivamente. Para o líder, o Estado brasileiro já é bastante pequeno para a sociedade que, ao contrário da política contracionista de Bolsonaro, deve receber investimentos e qualificação para oferecer serviços ainda melhores à população.

“Graças aos serviços públicos que a desigualdade no Brasil não é ainda maior. A política de desinvestimento do governo Bolsonaro levará a sociedade pagar muito caro, pois todos sabem que a iniciativa privada não vai onde o Estado já não tenha chegado”, disse Verri.

A reforma administrativa que será encaminhada pelo governo é a encarnação do pensamento de Bolsonaro e Guedes sobre a importância dessa categoria da classe trabalhadora. A agressão das palavras corrobora a proposta de retirar a estabilidade dos servidores, suspender concursos públicos e reduzir em 25% a jornada de trabalho e proporcionalmente o salário.

De acordo com o deputado, a estabilidade no emprego não é um penduricalho, como acusou o ministro, mas sim uma garantia de que o servidor não será pressionado a proceder de alguma forma alheia às suas funções, por imposição de alguma força política que, momentaneamente, esteja no poder. Ainda de acordo com o líder, a supressão de concursos públicos causará ainda mais ausência do Estado. Já a redução de jornada e de salários, para Verri, é um inconstitucional aviltamento à dignidade do serviço público.

“As atitudes falam por si. Nesse sentido, o pedido de desculpas do ministro é apenas um jogo de retórica para continuar agindo no desmantelamento do Estado brasileiro. Bolsonaro e Guedes farão qualquer coisa para cumprir a agenda ultraliberal imposta pelo Banco Mundial, de reduzir o Brasil a um entreposto comercial de produtos primários”, esclarece Verri.