A inevitável e necessária política

A política rege a humanidade. Somente os inumanos não fazem política, diria Aristóteles. Política é um ato pelo qual se estabelece, por exemplo, acesso justo e democrático aos recursos energéticos. Não tomar partido e não participar das decisões também é um ato político. Há governos sob os quais está uma população que não é chamada para decidir sobre os destinos do País, mas que também não participa de vontade própria. De qualquer forma, toda e qualquer política tem um resultado. As políticas podem ser de paz, ou beligerantes, de sistemas econômicos socialista, ou capitalista. Cada uma produz os seus efeitos, para o bem e para o mal da sociedade. Um regime de governo democrático, ou autoritário, faz toda a diferença.

As políticas adotadas por Temer e que serão aprofundadas pelo governo eleito, produzem resultados econômicos nefastos para uma das sociedades mais desiguais do mundo. Menos de 10 brasileiros detêm 50% da riqueza de 100 milhões de outros cidadãos e cidadãs do mesmo país. O grande investidor de qualquer nação é o Estado. O governo dos EUA gasta US$ 16 bilhões com produtores da indústria agropecuária, comprando os produtos de quem não consegue vender para os mercados interno e externo. Na terra do self made, na Meca capitalista do ultraliberalismo, o Estado intervém para não causar prejuízos maiores, como desemprego e falências.

Este ano, EUA e Alemanha intervieram para evitar que estatais chinesas comprassem empresas estratégicas de energia e de comunicação. Já com o Brasil, país onde a maior parte da população não sabe do que está em jogo, estatais de todo o mundo, bem como o mercado privado, principalmente o financeiro, aguardam apenas a posse do governo eleito para açambarcarem os recursos energéticos e as empresas brasileiras. Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, CEF, Correios, entre outras empresas tão importantes e estratégicas para o desenvolvimento de qualquer país, serão entregues para o bem-estar de outros povos.

A desnacionalização do patrimônio nacional é apenas uma política. Há outras, tão nefastas quanto. Sem consultar a população, o atual governo promoveu, e o próximo levará ao máximo da desregulamentação das leis, uma reforma trabalhista que extinguirá todo e qualquer regramento das relações entre capital e trabalho. Foi uma política com três resultados imediatos: a classe trabalhadora perdeu direitos seculares, não diminuiu o índice de desemprego e os trabalhadores estão mais desarticulados e sem o amparo dos sindicatos. Também está na pauta do governo eleito a privatização de uma Seguridade Social superavitária, como demonstrou, exaustivamente, a CPI da Previdência, presidida pelo Senador Paulo Paim (PT/RS).

O mercado financeiro comprará o SUS. A população terá direito de acessar um patrimônio seu se, e somente se, adquirir um plano de saúde oferecido pelos bancos. Ou seja, a política do brasileiro de se afastar da política, o fará pagar por algo que ele já pagou e vem sendo pago por gerações, por meio de uma diversa e rica cadeira de financiamento, como o PIS, a Cofins e as diversas loterias vendidas no Brasil. O fato de a Seguridade Social necessitar de melhor gerenciamento não é justificativa para entregá-la aos bancos. E vale o mesmo para todas as estatais brasileiras, que são superavitárias e estratégicas, como os Correios, que já foi referência internacional em logística. Desfazer-se desse patrimônio é jogar a água da bacia com o bebê junto. Isso não é atitude de um povo altivo e ciente da sua soberania. É preciso reagir fazendo política, não há outra maneira.

Durante os governos do Partido dos Trabalhadores, todas essas ferramentas foram necessárias para construir centenas de Institutos Federais, dezenas de universidade, milhões de moradias, desenvolver indústrias, como: a naval, da construção civil, a nuclear, entre outras, como a aeronáutica. A Embraer, por exemplo, uma líder mundial, com décadas de investimento em ciência e tecnologia, está sendo entregue para a gigante Boeing.

Isso, porque a política do atual e do próximo governo é plutocrata, isto é, voltada para os ricos. Para resgatar o Brasil pra os brasileiros não há outra maneira senão abandonar as redes sociais e ocupar, definitivamente, as ruas. Somente com muita gente nas ruas é que os governos recuarão na determinação de suprimir a possibilidade de um Estado Ampliado em um país cuja vivência mais próxima dessa condição foi durante os 13 anos dos governos do PT. Período marcado pela democracia, respeito às crenças e de paz. Foi um tempo em que o Brasil foi mais respeitado no mundo. Já vivemos isso uma vez e podemos viver novamente. Vai depender da nossa disposição e disponibilidade de fazer a necessária política.