Bancada de 54 líderes

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Na tarde da terça-feira (4), recebi formalmente a função de liderar a Bancada do Partido dos Trabalhadores, na Câmara dos Deputados. Na prática, respondo pela Liderança, desde a segunda-feira (27). Já na terça-feira (28), dei uma entrevista na condição de líder. Agradeço a confiança das companheiras e dos companheiros e ressalto que é uma responsabilidade muito grande estar líder de outros 53 outros líderes. O PT é um partido que não tem medo das divergências e nem do debate, pois nasceu em meio a muitas delas e cresceu e se consolidou enfrentando-as, por meio do debate franco.

Durante a reunião brilhou, mais uma vez, a maturidade de uma bancada que não surgiu de um ano para outro, mas que se fez a maior da Câmara numa construção de 37 anos. O debate deixou claro que as divergências dentro da esquerda e do próprio PT não são maiores que a clara consciência da pauta de destruição entreguismo do governo Bolsonaro e sua base, no Congresso Nacional. De uma maneira geral, as manifestações dos companheiros refletem a preocupação de quem não compactua com a atual conjuntura brasileira, deseja e tem todas as condições de voltar a fazer do Brasil um país grande e respeitado no mundo.

Ao fim dos pronunciamentos dos membros da bancada, o mosaico que se afigurou foi a agenda ultraliberal que vem sendo imposta, desde 2016, e contra a qual todos nos posicionamos. Em torno das eleições municipais gira toda a demanda da nação, pois o Brasil é, também, o que são as suas cidades, onde as coisas acontecem, nas questões ambientais, culturais, econômicas, sociais. O modelo político adotado por Bolsonaro, que é o caos, afeta toda a população, tanto a dos municípios de Roraima, quanto a dos municípios do Rio Grande do Sul. Os movimentos do governo não são estanques um do outro. Pelo contrário, estão todos ligados, relacionados e acontecem ao mesmo tempo. O enfrentamento será não apenas de resistência à agenda do governo, mas de apresentação e defesa das pautas progressistas.

Nesse sentido, durante o processo das eleições municipais será fundamental saber esclarecer a sociedade sobre o projeto de destruição do Brasil, proposta da agenda ultraliberal imposta pelo Banco Mundial e cumprida fielmente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Educação, saúde, meio ambiente, soberania estão na ordem do dia de todos os parlamentares, não apenas de toda a esquerda, como, também, dos progressistas que acreditam que o Brasil é protagonista mundial, não apenas pelos seus produtos primários, mas com capacidade e competência de construir desenvolvimento tecnológico, justiça social e acesso justo a todos os bens produzidos pela classe trabalhadora. Não é uma função confortável e nem fácil, mas, tranquiliza saber estou numa trincheira inteligente, aguerrida e combativa.

Enio Verri
Atual líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores, na Câmara dos Deputados.