Sem pagar aluguel por um ano, PM pode ser despejada

Publicado em 15 de maio de 2014

Gazeta do Povo

Sete dias depois de vir à tona a suspensão do serviço de correio nas polícias do Paraná, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (Bpec) e a Corregedoria da Polícia Militar (PM) correm o risco de serem despejados de suas sedes por falta de pagamento de aluguel. A informação foi confirmada por policiais das próprias unidades, que estão com receio de não terem mais um local adequado para trabalhar.

“Ainda não fomos [despejados], mas estamos na pendura”, afirma um policial da Patrulha Escolar, que preferiu não se identificar. Além dessas duas unidades, policiais do Centro de Recrutamento e Seleção, localizado na região do Juvevê, na via rápida sentido Centro-Cabral, também podem ser despejados do imóvel.

Um funcionário da Bpec informou que o aluguel não é pago há um ano. Segundo ele, a proprietária do imóvel negou-se a renovar o contrato. Para tentar amenizar a situação, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) ofereceu um espaço no colégio Newton Freire, no Atuba, mas o comando não aceitou por considerar muito longe. Até agora não foi informado quanto tempo os aluguéis das outras unidades estão atrasados.

“Enquanto isso, o governo gasta uma fortuna com papel e telefone quando poderia migrar para digitalização de documentos e uso de tecnologia voip [Voice over Internet Protocol – Voz sobre Protocolo de Internet] para a telefonia. Estamos atrasados 20 anos no Paraná em relação à gestão pública”, afirmou outro policial. A Corregedoria da PM fica localizada na Rua da Paz, ao lado do Mercado Municipal de Curitiba. A Bpec fica na Rua Chile, próximo a Rua Brigadeiro Franco.

Sucateamento

O sucateamento da Bpec aconteceu ao longo dos últimos, segundo relata um dos policiais. De acordo com ele, hoje, em Curitiba inteira, circulam quatro viaturas para atender todas as escolas municipais e estaduais da cidade. Segundo o policial, antes da PEC virar batalhão chegou a ter 22 viaturas. Ele relata que elas foram estragando e os policiais acabavam encostando os carros. Até agora não houve reposição. Os policiais da unidade estão ainda usando coletes balísticos vencidos, revalidados recentemente.

Falta de dinheiro

Não é de hoje que o governo do estado tem sofrido para cumprir pagamentos de serviços básicos para manter a estrutura policial. No fim do ano passado, a própria Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) teve suas linhas telefônicas cortadas por falta de pagamento. Na semana passada, foi suspenso o serviço de correio das polícias por falta de pagamento, embora a Sesp esclareça que a dívida havia sido quitada e o próprio Correio dificultou o recebimento. Até esta segunda-feira (12), o serviço permanecia suspenso.

No começo de novembro do ano passado, também por falta de pagamento, não havia álcool para abastecer viaturas em Curitiba e na região metropolitana. Os problemas orçamentários incluíram, na época, o atraso no pagamento de salários a cadetes iniciantes do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Academia do Guatupê, que serve à PM. Além disso, atualmente, policiais militares não têm recebido por aulas na academia, nem o quinquênio [adicional por tempo de serviço] e indenização por remoção.

Outro lado

Após admitir em nota os atrasos, o governo do Estado voltou atrás e informou que a situação em torno do imóvel sede do Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária não envolve dificuldade financeira. De acordo com o coronel Lanes Randal Prates, trata-se de uma questão contratual que está sendo discutida com a proprietária do imóvel. “Essa questão de locação não passa pelo aspecto financeiro. O estado fez uma avaliação de mercado para renovação do contrato que venceu no último mês de fevereiro e a proprietária não aceitou nossos termos. Como estamos sem contrato, não podemos realizar os pagamentos enquanto a negociação perdurar”, afirmou.

Ainda de acordo com Prates, a distância entre o oferecido pelo governo e o pedido pela proprietária ‘não é significativa’. “Parece-me mais uma questão de intransigência da parte”, argumentou o coronel, que adiantou a realização de um novo encontro com o locadora. “Amanhã [quarta] chamarei essa senhora para verificar o porque desse movimento midiático e podemos achar uma solução. Se ela quiser desocupar [o imóvel], temos possibilidade de realocar o Batalhão de Patrulha Escolar em outro local”.

Sobre a situação do prédio que abriga a Corregedoria da Polícia Militar, a Secretaria de Segurança Pública informou que se trata de uma questão de prioridade administrativa.

“Tendo em vista que o aluguel não impacta na qualidade da segurança pública nem nos índices de criminalidade, a Secretaria da Segurança Pública optou por priorizar o pagamento das despesas relacionadas diretamente à operacionalidade de suas unidades vinculadas e ao atendimento à população. A Secretaria da Segurança Pública está saneando todas as contas pendentes e, nos casos específicos citados, o pagamento ocorrerá nos próximos dias, uma vez que o governo estadual tem dado toda a atenção necessária para as ações da Pasta”, diz o texto divulgado pela Sesp.

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