Richa segura verba de custeio e faz UEL viver pior crise da história

Publicado em 20 de fevereiro de 2015

Erika Pelegrino (Jornal de Londrina)

Sem a verba de custeio destinada pelo governo do Estado, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vive a maior crise financeira de sua história, segundo a reitora Berenice Jordão. E isso não é tudo: para ela, a possibilidade de fechamento da instituição é real. “Não queremos pensar que isso possa acontecer, mas não temos alternativa para essa situação. O governo precisa acenar com uma saída. Estamos aguardando uma agenda com o governador [Beto Richa] para o início da próxima semana.”

A UEL deveria receber R$ 34 milhões, sem os quais as atividades acadêmicas, a manutenção e o custeio da saúde – no caso do Hospital Universitário (HU) e da Clínica Odontológica Universitária (COU) – ficam comprometidos. A suspensão dos recursos para custeio pegou a universidade de surpresa e em um momento em que as condições já são precárias.

“Encerramos o ano passado sem o repasse de R$ 6 milhões da verba de custeio e, por isso, não temos estoque de materiais, não fizemos manutenção”, explica Berenice. Só de contas de água e de luz, a UEL tem uma dívida de R$ 2,8 milhões. “Não conseguimos pagar estas contas desde novembro do ano passado.”

A reitora afirma que é a primeira vez que o governo suspende totalmente os recursos para custeio. A falta dessa verba compromete as atividades acadêmicas, já que a UEL depende dela, por exemplo, para o cultivo de plantas, a alimentação de animais do Hospital Veterinário, as viagens acadêmicas dos alunos, as centenas de bolsas de pesquisa e ensino e os materiais de laboratórios. Os recursos também são usados para serviços de manutenção, como troca de lâmpadas e pagamento de água, luz, internet, entre outros itens essenciais.

Além disso, atividades do HU e da COU, de acordo com a reitora, também podem ser prejudicadas. Dos R$ 34 milhões que o Estado deveria repassar à UEL, quase R$ 5 milhões são para o custeio do HU e da COU. E para receber a verba do Sistema Único de Saúde (SUS), o HU tem de manter algumas atividades como a compra de insumos, que depende da verba de custeio. “A verba de custeio alavanca o recebimento do SUS”, explica Berenice.

A única verba que será destinada para as universidades do Paraná é de R$ 9 milhões. Para a UEL serão R$ 2,8 milhões, mas é um recurso específico para o pagamento do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que, se não estiver quitado, o Estado não pode receber verbas federais. Ainda assim, o dinheiro não será suficiente, pois a previsão do Pasep da UEL para este ano é de R$ 6,8 milhões. A expectativa é de que seja marcada uma reunião do governador com as sete universidades do Paraná.

“Estamos fazendo um levantamento dos recursos próprios que captamos com os serviços da UEL e que podem ser utilizados para custeio. Em média, ao ano, líquido, conseguimos captar entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. Mas não podemos afirmar que neste ano teremos esses valores. Vamos saber ao certo ao fim do levantamento, até segunda-feira. Aí saberemos quanto temos, se é que temos”, relata a reitora. “Ainda assim, é um recurso que apenas nos permitirá dizer ao governador quanto tempo aguentamos até que a verba de custeio seja liberada.”

Governo pode liberar verba para universidades com hospitais

De acordo com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), houve uma reunião, ontem à tarde, para discutir soluções para as universidades. Dela participaram os secretários da Seti, João Carlos Gomes, e da Casa Civil, Eduardo Sciarra, entre outros representantes.

A verba de custeio foi um dos pontos em discussão e uma possibilidade estudada era a da liberação de um recurso para universidades que possuem hospitais, como a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A previsão é de que essa liberação seja assinada pela Secretaria Estadual de Fazenda hoje.

Obras são suspensas sem recursos do Estado

A crise financeira atinge também as obras da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo a reitora Berenice Jordão, sem previsão de liberação de verbas pelo governo do Paraná, seis obras que têm contrapartida de recursos estaduais estão suspensas. São obras que já estão licitadas e que têm recursos federais aprovados.

É o caso da construção da Maternidade do Hospital Universitário (HU), orçada em aproximadamente R$ 8 milhões; da Clínica Odontológica Universitária (COU), cujo valor estimado é de R$ 8,5 milhões; do novo Departamento de Comunicação e Artes, R$ 1,8 milhão; e dos três laboratórios de ensino e iniciação científica, R$ 4,1 milhões.

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