Temer amplia financiamento para imóveis destinados aos mais ricos

Publicado em 19 de julho de 2016

A Caixa Econômica Federal vai ampliar o financiamento para imóveis destinados a pessoas com renda mais alta, numa tentativa de aumentar seus negócios num segmento mais lucrativo do mercado imobiliário, que esfriou com a crise econômica.

O banco vai dobrar o valor máximo dos imóveis que pode financiar, elevando o teto a R$ 3 milhões, e aumentar de 70% para 80% a parcela do valor total que pode ser financiada no caso dos imóveis novos com preço superior a R$ 750 mil (DF, SP, RJ e MG) e R$ 650 mil (demais Estados).

Para imóveis usados, terrenos, construções e reformas, a Caixa aumentou o porcentual que pode ser financiado de 60% para 70%. As mudanças entrarão em vigor na próxima segunda-feira (25).

O banco é o maior financiador do mercado imobiliário do país, com 67% da carteira de crédito do setor atualmente. Mas a instituição encontra dificuldades para obter novos negócios em meio à recessão. Até junho, a Caixa emprestou R$ 39 bilhões para imóveis, menos da metade do orçamento previsto para este ano, de R$ 93 bilhões.

Para compensar a retração, o banco buscou captar recursos no mercado, com a emissão de letras financeiras e outros instrumentos, para viabilizar a aposta nos mais ricos. “Agora temos dinheiro sobrando”, disse o vice-presidente de habitação, Nelson Antonio de Souza, à agência Reuters nesta segunda (18).

“A Caixa, em uma atitude bem oportuna, vai trabalhar em uma faixa em que a taxa de juros é maior e o risco de inadimplência, menor”, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o sindicato que representa o setor imobiliário em São Paulo.

Para imóveis com valor de até R$ 750 mil, os empréstimos são feitos conforme as regras do Sistema Financeiro Habitacional (SFH), com juros mais baixos e lastro nos depósitos na poupança. Mas o saldo das cadernetas caiu nos últimos meses por causa da crise e do baixo rendimento, reduzindo os recursos disponíveis para novos empréstimos.

Imóveis com valor acima de R$ 750 mil são financiados de acordo com as regras do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as instituições financeiras têm liberdade para definir a fonte dos recursos e as taxas.

“Provavelmente a Caixa está com recursos ociosos e resolveu direcionar para essa faixa. É uma questão de estratégia”, afirma o professor João Rocha da Lima, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, especialista em mercado imobiliário.

MERCADO

Para Lima, as mudanças anunciadas pela Caixa não são suficientes para aquecer o setor imobiliário. “Mas mostram que o banco está buscando se adaptar a uma realidade de mercado”, diz ele.

Segundo o professor, as famílias em geral precisam de pelo menos seis anos de poupança para pagar 10% do valor de um imóvel.

Assim, a mudança anunciada pela Caixa pode representar uma redução significativa da espera para aquisição da casa própria. “Isso é o mais importante, porque desafoga o poder de compra das famílias”, afirma.

A Caixa não divulgou se haverá mudança nas taxas cobradas com a ampliação da faixa de financiamento. Hoje, os juros cobrados pelo banco são menores do que os de seus concorrentes.

Enio e Lula

Vem com a gente

Lula e Dep. Federal Enio Verri

Faça parte da rede de defesa dos DIREITOS SOCIAIS e pela DEMOCRACIA.

Enviar mensagem
Vamos conversar?
Olá!
Envie sua mensagem para o deputado Enio Verri.