Publicado em 14 de fevereiro de 2019
Desde 1982, o povo Avá-Guarani, do oeste do Paraná, enfrenta um tortuoso processo em busca de reparação pela desocupação forçada, em virtude do alagamento de suas terras pelas águas da represa da hidrelétrica de Itaipu.
A ausência do Estado e o interesse dos latifundiários obrigam milhares de homens, mulheres, crianças e idosos a viverem espremidos entre rodovias, lavouras de soja e criação de gado. Laudo técnico antropológico, realizado pela própria Itaipu, aponta que os indígenas têm em haver com o Estado, cerca de 10 mil hectares.
A direção da hidrelétrica ignora seu próprio laudo e se recusa a negociar com os Avá-Guarani, ao mesmo em tempo que impetra ações de desocupações. Depois de muita luta e de perdas de vidas indígenas, nunca de brancos, no enfretamento de despejos, ali e acolá, a Procuradoria Geral da República, em 2019, suspendeu uma ação de despejo de uma área, em Santa Helena.
A manter-se a posição da empresa, ela poderá e deverá ser responsabilizada por gerar uma diáspora do povo Avá-Guarani. Isso seria um crime de lesa-humanidade.