Cade abre inquérito para apurar interrupção de fornecimento de CO²

Publicado em 1 de julho de 2022

Requerimento de Enio Verri derivou em inquérito do CADE para investigar desabastecimento de CO² para fabricantes de refrigerantes

Foto: Afrebras

Mônica Bergamo (FOLHAPRESS) – O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriu inquérito para apurar se a White Martins cometeu infrações à ordem econômica ao interromper abruptamente o fornecimento de CO² para fabricantes de refrigerantes.

Empresários do setor afirmam que, ao mesmo tempo em que ficaram sem o insumo, a companhia manteve o abastecimento do gás para grandes indústrias como a Coca-Cola. O CO² é essencial na fabricação de bebidas gaseificadas.

Em maio, o deputado federal Enio Verri (PT-PR) entrou com uma representação no Cade pedindo uma investigação sobre o caso. Em despacho publicado na quarta (29), o superintendente-geral do órgão, Alexandre Barreto de Souza, determinou a abertura do inquérito administrativo.

Segundo a denúncia apresentada pelo parlamentar, ao continuar o fornecimento do CO² para a Coca-Cola e deixar outros fabricantes sem a matéria-prima a White Martins “fere os interesses da coletividade, impede o público consumidor de ter acesso a uma maior diversidade de produtos no mercado, possibilita a manipulação de preços ao consumidor final e viola as garantias constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência.”

Os empresários afirmam que o problema começou em março. Eles dizem que foram informados sobre a interrupção do fornecimento de CO² por meio de uma carta. Na ocasião, a White Martins liberou os fabricantes para buscarem o insumo com outras empresas —muitos tinham contrato de exclusividade com a companhia.

O problema, segundo o setor, é que essas outras empresas são incapazes de atender a demanda do mercado, já que a White Martins é a principal fornecedora da matéria-prima no país. Com isso, segundo a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), o preço do CO² aumentou de R$ 1,50 para cerca de R$ 20 o quilo.

Alguns empresários tiveram de paralisar as suas produções por causa da falta da matéria-prima. O problema atinge especialmente fabricantes do Sul e do Sudeste do país.

Na ocasião da denúncia, a White Martins disse que estava atuando intensamente para manter o fornecimento aos seus clientes, independentemente do porte. Segundo a companhia, havia restrições “em algumas localidades específicas em função da parada de manutenção da empresa que fornece CO² bruto para a principal planta de produção da empresa, localizada em Cubatão (SP).”

Ainda segundo a White Martins, a situação de falhas no fornecimento era temporária. “Os clientes foram avisados antecipadamente de que poderia haver restrições temporárias no suprimento de CO² em função da prioridade do fornecimento destinado ao armazenamento de vacinas e transporte de órgãos, assim como aplicações ambientais.”

“A companhia reitera que está empreendendo todos os esforços para manter o fornecimento aos seus clientes, trazendo o produto da Argentina, Bolívia, Colômbia e Estados Unidos, além da transferência do CO² de outras plantas da companhia na Bahia e em Minas Gerais”, dizia a nota.

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