Brasil perderá investimentos da China por causa de Bolsonaro, alerta Verri

O deputado petista Enio Verri (PR) considera que o governo Bolsonaro demonstra “profunda ignorância” e “falta de conhecimento histórico” ao colocar a ideologia acima dos interesses comerciais brasileiros na relação comercial entre Brasil e China.

Reportagem publicada no jornal Valor Econômico, nesta quinta-feira (7), aponta que a retórica anti-China de Jair Bolsonaro está travando investimentos bilionários no País.

O jornal lembra que o primeiro desembolso do fundo multibilionário idealizado pelos dois países para impulsionar a cooperação econômica bilateral já está prejudicado. Lançado em 2015 o Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva, acordado pela então presidenta Dilma Rousseff e o primeiro-ministro Li Keqiang, demorou quase três anos para ser estruturado e chegar à lista final de candidatos aos primeiros aportes.

De acordo com o jornal, o Fundo de Cooperação Brasil-China poderia chegar a US$ 20 bilhões em investimentos. Desse montante, US$ 15 bilhões seriam do Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund) e o restante viria do lado brasileiro. Para o deputado Verri o governo Bolsonaro precisa entender que os interesses comerciais devem prevalecer sobre meras posições ideológicas.

“O presidente Bolsonaro e o seu chanceler [Ernesto Araújo] têm demonstrado profunda ignorância na estratégia das relações internacionais, ao tratar o maior parceiro comercial do Brasil como adversário dentro de uma perspectiva ideológica. Isso prejudica o Brasil e ajuda apenas os Estados Unidos da América. O Donald Trump, claro, agradece”, ironizou Verri.

Segundo apurou o Valor Econômico, a linha de transmissão responsável pelo escoamento de energia da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) até o Rio de Janeiro estava praticamente definida como desembolso inaugural. Orçado em quase R$ 10 bilhões, o linhão está em obras e tem previsão de entrega para dezembro. Ele vem sendo financiado com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A intenção era usar recursos do fundo como “equity” para a compra de uma fatia acionária de até 40% do empreendimento controlado pela State Grid.

Na reta final das tratativas, declarações de Bolsonaro sobre os investimentos chineses no país levaram Pequim a colocar um freio na liberação dos recursos. Antes mesmo de começar formalmente a campanha eleitoral, o então pré-candidato do PSL irritou o Partido Comunista da China ao viajar em fevereiro para Taiwan, como parte de um giro pela Ásia. A ilha tem sua soberania reivindicada pelos chineses, que a consideram uma província sem direito de ter relações independentes com outros Estados.

Em pleno segundo turno, Bolsonaro queixou-se de que a China, responsável por US$ 69,2 bilhões em investimentos no Brasil acumulados de 2003 a 2018, “não está comprando no Brasil, está comprando o Brasil”. Já na liderança das pesquisas, ele ainda falou sobre a China para ilustrar suas preocupações com a privatização da Eletrobras: “Quando você vai privatizar, você vai privatizar para qualquer capital do mundo? Vai deixar o Brasil na mão do chinês?”.