Brasil terá crise maior da economia se continuar política de Guedes

Indicadores da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam uma desaceleração na economia do Brasil. É a única grande economia do mundo nessa situação, o restante varia entre “crescimento constante” ou “aumento da expansão”. Os dados divulgados vão ao encontro do que temos anunciado sobre o grande equívoco da política econômica adotada pelo ministro da Economia Paulo Guedes.

Seguindo o caminho contrário das economias globais, o Brasil registrou queda de 0,32 ponto em março em relação ao mês anterior. Caiu de 103,5 em fevereiro para 103,1, única nota negativa das economias avaliadas.

Em momentos de crise, tanto a história quanto a literatura econômica mostram que uma maior intervenção do Estado. Os países têm tomado medidas nesse sentido, como está sendo feito, por exemplo, pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na crise, não se tem o livre mercado, nem a prática neoliberal. Ao contrário, é inevitável que o Estado amplie seu papel e intervenha direto na economia. Isso acontece mesmo na Inglaterra, Alemanha e outros países, não importa o viés ideológico de seus dirigentes e economistas.

No Brasil, acontece exatamente o contrário. Primeiro, quando a pandemia iniciou-se, no ano de 2020, estávamos saindo de um 2019 já apresentando uma forte desaceleração na economia. O PIB cresceu apenas 1,1%.

O enfrentamento da pandemia, totalmente equivocado, somado à políticas econômicas, também equivocadas, acabaram piorando ainda mais o quadro da saúde, e consequentemente o quadro econômico do país.

Números negativos

O relatório da OCDE também prevê novas altas da taxa básica de juros e estima que a Selic feche o ano em 5,25%, maior que a projeção anterior de 4,50%. E ainda com o dólar cotado a R$ 5,37.

A previsão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2021 também sofreu retração, com crescimento de 3,08% da economia neste ano, menor que 3,17% na apontado na semana anterior.

Também há indicação de alta da inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu de 4,81% para 4,85%.

Vacina x crise

Vimos que o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) já declarou na grande imprensa internacional, em jornais especializados, de que o investimento mais barato para sair da crise seria a vacina. Porque quanto mais rápido se vacinasse a população, mais rápido a vida econômica poderia voltar à normalidade e não estaríamos com a crise da forma que está.

No entanto, o Brasil optou por atrasar o início da vacinação. Em agosto do ano passado, já podíamos ter comprado 70 milhões de doses de vacina, o que não foi feito. Uma decisão que atrasou todo o processo de imunização da nossa população.

E os números apontam um cenário muito difícil, com uma inflação alta e uma desaceleração econômica muito rápida.

Infelizmente, olhando para o futuro não há muita expectativa de mudança desse quadro. Precisamos, imediatamente, promover uma mudança drástica na política econômica adotada por Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. E, assim, colocar o Brasil de volta nos trilhos do crescimento econômico.