Carta aos professores universitários

Estimadas e estimados colegas,

Dirijo-me a vocês, por este meio, com a mesma fluência da comunicação, aberta em 1997, quando passei a integrar os quadros da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e que se mantém desde então. Há um Estado e um País a serem recuperados. Em meio ao sufocamento do Estado Democrático de Direito, em 2016, a soberania brasileira está aos cuidados de nações que são centros de poder econômico, cuja exigência é a implantação de um Estado Mínimo. O estado do Paraná, governado pelos partidos que sustentaram o golpe e todas as suas medidas nefastas, o PSDB e o PP, reproduz as conjunturas política, econômica e social do Brasil, pós 2016.

As pautas a enfrentar são as mais deletérias, contra as quais devem-se investir todos os esforços. Trata-se da soberania de um rico país, em vários aspectos, desde o biodiverso, ao aquífero, passando pelas capacidade, competência e necessidade de se industrializar ainda mais. A EC 95 asfixia o País, impedindo-o de investir em seu desenvolvimento, por 20 anos, como se as demandas de crescimento da nação se mantivessem inalteradas durante o período. Entre os temores que pairam sobre o Paraná está a privatização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), cujas consequências serão desastrosas.

No plano estadual, observa-se a cópia da política da EC 95 contra as universidades estaduais. Richa submete a basilar autonomia universitária à frieza contábil do Fisco estadual, o sistema RH-Meta4. As universidades não abrem cursos, ou extensões, não contratam professores e demais profissionais e nem mesmo compram material ordinário de limpeza sem a anuência de uma secretaria cujas funções passam ao largo das demandas universitárias. Em curto prazo, as universidades estarão suficientemente sucateadas para serem entregues à iniciativa privada, a valores módicos.

Depois de muita luta da atenta bancada da esquerda, muito bem apoiada pela classe trabalhadora, a regulamentação do Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (TIDE) foi oficializada, no dia 28 de junho, por Beto Richa. E foi vetado, no dia 13, pela governadora Cida Borghetti. Um teatro que humilha quem profissionais que se dedicam à produção científica. Os ataques são tão incontáveis e grandes quanto deve ser a disposição para enfrentá-los. A imposição do Estado Mínimo é o que devemos combater, a todo custo. De alguns países, para arrancar-lhes as riquezas, dizimam a população. Já em outros, como o Brasil, a despolitização de 200 milhões de habitantes é o passaporte para adquirir, a valores módicos, quase simbólicos, o patrimônio público.

Ferramentas fundamentais com as quais um país constrói a sua soberania e o patrimônio nacional, erguidos há décadas com o suor e o sangue da classe trabalhadora, são impunemente entregues. O crime de lesa-pátria do grupo golpista passa despercebido da população, devido à comparsaria de uma imprensa venal, caixa de ressonância do mercado financeiro que, ao longo de anos, inoculou na população ódio à política. Uma luta hercúlea e complexa que requer união.

Nesse sentido, é uma honra poder ombrear-me às forças progressistas das universidades estaduais para restituir o Estado Democrático de Direito e reaver a autodeterminação dos brasileiros de decidirem quando, como, onde e para quem investir os seus recursos energéticos, por meio de suas empresas estratégicas. O Brasil vive uma fratricida luta de classes, na medida em que uma condena a outra à fome e à miséria, enquanto vive em escandalosa opulência.

O tênue avanço civilizatório produzido, entre 2003 e 2014, é vorazmente destruído por uma agenda ultraliberal, de Estado Mínimo, excludente que colocará o Brasil, em definitivo, na condição de colônia. Mais de 1,1 milhão de pessoas jogada, novamente, na miséria. O País está de volta ao vergonhoso Mapa da Fome, de onde saiu, em 2013, por meio das políticas afirmativas de combate à fome e à miséria, como também por meio de distribuição de renda, com emprego formal e aquisição de imóvel.
A sociedade brasileira está em uma encruzilhada cujos caminhos possíveis são o desenvolvimento soberano, ou a submissão colonizadora. O mundo acadêmico, devido à sua condição privilegiada de acesso à informação, é instado a cerrar as fileiras da vanguarda da resistência para o enfrentamento a uma agenda ultra-liberalizante e desregulamentadora das relações entre capital e trabalho. Para reestabelecer a democracia e o Brasil do crescimento para todos, contem comigo.

Forte Abraço
Enio Verri