Carta aos servidores públicos

Caríssimas companheiras e caríssimos companheiros,

Dirijo-me por este canal a comunicação já estabelecida de longa data. O Brasil vive um momento de extrema delicadeza. As conjunturas política, econômica e social, pós-golpe de 2016, revelam um futuro de atrasos em todos os setores da sociedade, desde o cultural, ao ambiental, passando pelo tecnológico, de mobilidade, habitação, educacional, de saúde, etc. Não está em questão qualquer categoria da atuação pública, mas sim a própria existência do indispensável serviço público.

A sociedade brasileira sofre pela escassez de serviço púbico, tanto do ponto de vista da qualidade quanto da quantidade. Além do pouco número, há uma precarização das suas competências, que não são reafirmadas e nem melhoradas. As atuais medidas políticas cumprem uma agenda do mercado financeiro, de sucateamento do serviço público, de redução de um Estado que, em 130 anos, não ofereceu acesso democrático e afirmativo à maior parte da população, que padece de desinformação dos seus direitos. O servidor público tem papel fundamental no processo de politização da sociedade.

Quanto mais politizada uma população, maior será a exigência de prestação de serviços mais bem qualificados. O resultado será um profissional valorizado, com condições dignas de prestação de serviços, tanto no que se refere às suas expertises, quanto das condições materiais e tecnológicas. A união de todas as categorias de servidores públicos é vital para a defesa da manutenção do Estado Ampliado. A EC95 é a sentença de uma morte lenta e agonizante dos serviços públicos, que serão sucateados e passados às mãos da iniciativa privada. Reverter esse estado de coisas é trabalho de todos.

Os cerca de 300 mil servidores públicos do Paraná são uma força de opinião pública que pode banir da vida pública, em definitivo, uma política que, em 2015, massacrou servidores públicos que se manifestavam de forma absolutamente pacífica pelo direito de defender uma previdência construída ao longo de décadas, com o suor e o sangue dos da classe trabalhadora paranaense. Desde aquele inesquecível abril, a política do Estado Mínimo do Paraná, que é a mesma do plano nacional, não reajustou nem a perda inflacionária dos anos 2016, 2017 e 2018.

Devolver o Estado a quem o constrói, a classe trabalhadora, é a única condição para se reaver direitos ceifados e a dignidade de quem produz as riquezas do estado e do País. A disputa pelos espaços de decisão política é entre os que defendem o Estado Ampliado e os que defendem o Estado Mínimo. O primeiro busca promover acesso justo e democrático das riquezas à totalidade da população. Já o segundo, busca estabelecer acesso seletivo a uma minoria de brasileiros, como a de uma família que recebeu, este ano, a título de juros e dividendos, R$ 2,5 bilhões, sobre os quais não pagarão IRPF.

É nessa encruzilhada em que se encontra o Brasil. Está em vias de se tornar, definitivamente, uma colônia produtora de commodities. O ultra liberalismo tem sua agenda muito bem definida, haja vista a aprovação da EC95, ainda em 2016. Tergiversar diante do sucateamento do Estado e da entrega da soberania nacional é declinar de um futuro digno para os filhos e netos desta nação. É uma honra saber que posso me ombrear às forças progressistas deste estado, na linha de frente de uma luta que não se findará com as eleições. Soberania se constrói todos os dias.

Forte abraço.

Enio Verri