É a Educação, Governador

Política educacional de qualidade é um dos pilares para qualquer país se ver desenvolvido, com justiça social. A Finlândia, por exemplo, é considerada o 3º país menos corrupto do mundo. Lá, não existe escola privada, o filho do gari e o do banqueiro estudam juntos, desde a alfabetização à universidade. No Brasil, a Educação é base de campanha eleitoral de todos os partidos políticos. A Educação está nas estruturas das fundações de todos eles, de direita e de esquerda. Nesse sentido, o Paraná tem um resgate a fazer, o da suas urgentes políticas em defesa da Educação.

O último governo deixou de construir e reformar escolas, superlotou salas de aula e puniu professores que se ausentaram por força de esgotamento emocional. Políticas absolutamente banidas de países que se desenvolvem e já se desenvolveram. Para alcançar seu nível de excelência, a Finlândia decidiu, nos anos 1960, investir na educação como o caminho para o desenvolvimento social, tecnológico e econômico. Uma das políticas é a da valorização do professor, tanto na qualificação quanto na remuneração. O profissional goza de um prestígio social superior ao de qualquer outra categoria. No Paraná, até o governo passado, vigeu o provinciano e nefasto hábito de depredar os aparelhos de acesso e inviabilizar o ensino/aprendizagem.

Há uma extensa pauta de políticas a ser debatida com a sociedade paranaense, que anseia e exige a recuperação dos investimentos em Educação, quesito, aliás, no qual o Paraná já foi uma das referências nacionais. É lamentável, mas o governador eleito está equivocado quanto às decisões que tomou, antes dos primeiros 15 dias de governo. É incompreensível uma política que congela R$ 8,1 bilhões do orçamento, dos quais R$ 1,6 bilhão deixa de ser investido na Educação do Paraná, em 2019. Além disso, o governador decidiu manter uma punição cruel a professores licenciados por estafa, uma classe da qual 66% se afastam do trabalho por esgotamento nervoso.

Definitivamente, os paranaenses merecem mais respeito e devem se fazer respeitar pelo novo governo. Retirar da Educação para garantir juros a rentistas é condenar o estado ao ruralismo, um grande produtor de commodities e gerador de postos de trabalho de baixa complexidade. O Paraná é um dos estados mais ricos do País e possui uma diversificada industrialização, que vai desde a têxtil à petroquímica, passando pela a agrária, a da madeira, a metalúrgica, a elétrica e de eletroeletrônicos. Nessa direção, repetindo a receita do governo anterior, o estado passará a importar mão de obra, por falta de qualificação de suas escolas básicas. Não obstante seja um crime contra a humanidade, privar os cidadãos de acesso às chaves que se usam nos centros de decisões políticas, também é um acinte à 6ª economia nacional.

Desde 2017, os professores do estado do Paraná seguem sem um mínimo reajuste salarial. Naquele ano, enquanto o piso nacional foi de R$ 2.298, os professores paranaenses receberam R$ 1.982. Já em 2019, os professores do Brasil terão o piso de R$ 2.557 e os do estado receberão o mesmo valor de 2017. Não se encontra exemplo igual, no mundo, entre as nações que tomaram a revolucionária decisão de investir em Educação e se estabelecer como país desenvolvido e minimamente justo. Resta ao governador consultar a sociedade para saber dela se ele está no caminho certo. Com a palavra e as atitudes, a sociedade paranaense. Pelos filhos e netos do estado do Paraná, demo-nos os braços em defesa da Educação. Contem comigo.

Enio Verri é deputado federal pelo PT e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).