Fim do Ministério do Trabalho

De retrocesso em retrocesso, o governo eleito reestabelecerá o tronco e a senzala. Depois de ir e voltar em mais uma de suas descabidas declarações, Bolsonaro assume que destruirá uma instituição de 88 anos. O Ministério do Trabalho será esquartejado e enfraquecido para dispersar a luta da classe trabalhadora e facilitar sua submissão ao mercado, aos interesses dos patrões. Porém, ele não pode ser acusado de traição. Toda a classe trabalhadora sabe que Bolsonaro votou a favor da reforma trabalhista que tem, entre outras propostas, a terceirização da atividade fim, o negociado sobre o legislado, a contratação temporária, a admissibilidade de grávidas e lactantes trabalharem em lugar insalubre, entre outras precarizações.

De qualquer modo, quem votou nele não pode acusa-lo de não cumprir suas metas de campanha. É de conhecimento geral a sua célebre frase, no dia 28 de agosto, em plena campanha eleitoral, durante entrevista ao telejornal de maior audiência do País: “O trabalhador terá que escolher entre mais direitos e menos emprego, ou menos direito e mais emprego”. Em 518 anos, 400 foram sob a escravidão de mais de cinco milhões de africanos. Em cerca de 130 anos de República, abolição tratou de varrer os escravizados para debaixo do tapete da história, sem realizar uma mínima reforma agrária.

O resultado é que, até hoje, há escravidão no Brasil. Em 2017, 184 operações de fiscalização do Ministério do Trabalho, órgão competente para tal, resgatou 407 trabalhadores em situação análoga à da escravidão. Entre 1995 e 2017, foram resgatados mais 50 mil trabalhadores nessa situação, tanto na cidade quanto no campo. Apenas em 2007, foram resgatados seis mil trabalhadores. Para o deputado federal, Enio Verri (PT-PR), a proposta é um golpe mortal contra os mínimos avanços civilizatórios alcançados, desde a proclamação da República.

“O anúncio do novo governo é um gigantesco passo rumo ao atraso e Ao aprofundamento da precariedade das condições de trabalho de mais de 70% da classe trabalhadora. Além de reconduzir o Brasil à condição de colônia de outros países, como pretende, o novo governo quer escravos para servir aos propósitos do mercado”, diz Enio Verri.