Líder do PT defende impeachment de Bolsonaro e votação imediata de auxílio emergencial

O líder do PT na Câmara, deputado federal Enio Verri (PR), afirmou hoje (8) que um dos principais desafios para o PT e os outros partidos de oposição ( PSB, PDT, PCdoB, PSOL e Rede) neste ano e em 2022 será manter a coesão e unidade em torno de bandeiras como a defesa da democracia, da Constituição, da manutenção do auxílio emergencial e direito de todos à vacinação contra a Covid-19, além da defesa intransigente do impeachment do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.

Ele reafirmou que o PT é totalmente favorável ao impeachment de Bolsonaro. “Isso não há o que discutir. É uma questão dada para nós, somos oposição a Bolsonaro, continuamos a defender o impeachment, achamos que o que ele está fazendo e as suas práticas políticas, econômicas e sociais aumentam o anseio da população pelo impeachment”, disse.

Lembrou de pesquisa que indica o apoio de 53% da população ao impeachment. “A persistir o aumento da fome e da miséria, isso vai aumentar. Então a oposição radical a Bolsonaro continuará intensa e tende a ser ampliada”, ressaltou.

Auxílio emergencial

Para o líder do PT, a volta do auxílio emergencial de R$ 600,00 é vital. “Uma pauta fundamental, além da pauta democrática, de respeito à Constituição e respeito à República, é o auxílio emergencial. Urgentemente tem que ser votado. A campanha da ‘Vacina para Todos’, também não pode ser muito enrolada. Nós temos que urgentemente também colocar isso como pauta”, afirmou o líder, em entrevista ao jornalista Matheus Leitão, da Veja.

“E nós temos outras pautas que tratam da vida da população. A geração de empregos. “Ao invés de estarmos saindo de uma crise, a crise está sendo aprofundada”, comentou o líder do PT, fazendo uma referência à previsão de queda do PIB em 5%.

Pequenas empresas e agricultura familiar

Enio Verri alertou também para a necessidade de se garantir políticas públicas para a sobrevivência das pequenas empresas e da agricultura familiar, além da Reforma Tributária.

“A Reforma Tributária é uma pauta que eu acho que entrará num debate muito em breve”. Disse. Ele destacou que essa reforma tem que levar em conta a tributação das grandes fortunas, já que o sistema atual penaliza pobres e classe média e privilegia os bilionários. “Tributar patrimônio e a renda, escalonar uma tabela do imposto de renda onde você possa isentar quem ganha até 5 salários mínimos para, com isso, se incentivar o consumo e a recuperação da economia”, ponderou.

Arthur Lira

O fato de a Câmara agora ser presidida por um aliado do presidente Bolsonaro vai realçar a importância da união da esquerda, raciocina o líder do PT. O parlamentar destacou que essa união funcionou bem em 2020 para a aprovação de pautas importantes e precisa ser mantida no próximo biênio, tendo em vista os grandes desafios na agenda econômica e social do país.

“Estes dois anos nós vamos ter um presidente da Câmara ligado a Bolsonaro. Vamos ter [com ele] diferença também em outras pautas, como a de costumes e outras pautas que Bolsonaro já assinalou que vai querer levar para o debate na Câmara. Isso vai intensificar e exigir ainda mais o nosso papel de oposição. Então eu diria que como tarefa a bancada do PT terá de esforçar-se muito para manter a oposição unida, isso é muito importante”, afirmou.

União da esquerda

Na avaliação de Enio Verri, os seis partidos de oposição trabalharam bastante juntos, contribuindo com um bom debate. Por isso, manter essa união da esquerda é tão importante para garantir o respeito à Constituição e à democracia, na visão do líder.

A Bancada do PT – a maior da Câmara, com 54 integrantes – tem como metas lutar por pautas como a manutenção do auxílio emergencial, a geração de empregos e a vacinação ampliada contra a Covid-19.

Enio Verri criticou a incompetência do governo Bolsonaro diante de uma monumental crise econômica e sanitária no País. Assim, frisou a importância do protagonismo que o Congresso assumiu diante dos grandes desafios trazidos pela pandemia do novo coronavírus. Por isso, acredita que a Câmara e o Senado continuarão a assumir o papel de guiar os principais projetos de interesse social e econômico do País.

“Quando você tem um poder Executivo que é muito fraco, o poder Legislativo é levado a cumprir um papel que caberia ao poder Executivo. Se você pegar o ano de 2020, foi o que aconteceu. As principais leis e as principais políticas de resistência à Covid-19, à crise social, saíram do Congresso Nacional. Não saíram do poder Executivo. Então, eu entendo que este ano, mesmo com toda disputa, voto, toda disputa que é comum no plenário do Congresso, o Congresso, de novo, deve ter o principal papel juntamente à crise do país porque não creio que Bolsonaro e sua equipe tenham competência para isso”, criticou.