Líder do PT rechaça medida provisória de Bolsonaro que corta salários

O líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), repudiou hoje (2) a perversa Medida Provisória (MP 936) editada pelo governo Jair Bolsonaro para permitir que empresas reduzam a jornada de trabalho e os salários dos trabalhadores em até 100%, pelo prazo máximo de 90 dias. Segundo o líder, a “MP de Proteção ao Trabalho e ao Emprego”, como o governo a define, é frontalmente contrária aos trabalhadores. “Não protege nem emprego nem trabalhador; a MP condena os trabalhadores à fome, é uma MP criminosa”, denunciou o líder petista.

Ele se declarou “estupefato” com a postura de Bolsonaro e seus ministros por elaborarem uma MP tão danosa à classe trabalhadora, mas disse que quem conhece o capitão-presidente já sabia de sua incompetência. Verri lembrou que em 28 anos como deputado federal Bolsonaro não fez nada e evidenciou sua “incompetência e incapacidade de entender a realidade e criar políticas para o bem da população”.

Gogó

Na opinião de Enio Verri, a MP 936 é a cara de Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes, “os quais falam muito e nada fazem” para os trabalhadores e os pobres do País. Ele observou que o governo tem sido totalmente incompetente e inoperante para enfrentar a crise sanitária, econômica e social agravada pela pandemia do coronavírus. “Para ajudar os pobres, alegam limites fiscais e legais, mas para ajudar banqueiros e grandes corporações tudo é rápido”, afirmou o parlamentar.

“Essa medida demonstra que o governo está preocupado apenas com o mercado financeiro e com o equilíbrio fiscal. Para eles, as pessoas devem estar a serviço da economia, e não o contrário. Isso só prova a insanidade cada vez mais nítida desse presidente, que precisa ser retirado do governo o mais rápido possível”, defendeu o líder do PT.

A MP, na análise do líder petista, insere-se num conjunto de “projetos assustadores” enviados pelo governo ao Congresso, sempre retirando direitos da população e em favor do grande capital e dos interesses estrangeiros. “No resto do mundo os governos estão preocupados em salvar vidas, mas aqui o governo Bolsonaro age de modo contrário”, disse, observando que o presidente ainda contraria as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde sobre a importância do isolamento no combate à pandemia de Covid-19 e incita, de modo irresponsável, as pessoas a saírem às ruas.

Sobrevivência dos trabalhadores

Ele também criticou a demora do governo em liberar os recursos da Renda Mínima Cidadão, projeto aprovado pelo Congresso que garante até R$ 1200,00 por família enquanto durar as medidas de isolamento para enfrentar a pandemia de Covid-19. “Nem isso o governo consegue fazer, mesmo havendo toda uma estrutura que envolve Caixa Econômica Federal e lotéricas em todo o País”, lamentou Verri.

Segundo ele, Bolsonaro e Guedes mentem quando afirmam que é preciso haver a aprovação de outra matéria no Congresso para liberar os recursos doprograma emergencial de ajuda às camadas mais atingidas, econômica e socialmente, pela pandemia. “O governo não está preocupado minimamente com a sobrevivência de trabalhadores informais e dos micro e pequenos empresários”, denunciou o líder do PT.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, insiste em condicionar a renda mínima à aprovação, pelo Legislativo, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o “ Orçamento de Guerra”. O projeto prevê que, durante a vigência da calamidade pública, o governo não precise cumprir a “regra de ouro”, norma que impede endividamento para pagar despesas correntes da administração pública.