Oposição cobra auxílio emergencial de R$ 600 por mais seis meses

Os partidos da oposição, como em abril do ano passado, insistem no auxílio emergencial de R$ 600 por pelo menos mais seis meses, já que a pandemia não acabou, como diz o líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR). “Eles vão propor três de R$ 200, a partir de primeiro de março. Achamos um absurdo. Vamos lutar fortemente aqui para ampliar para R$ 600”, afirma o petista.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) diz que “Bolsonaro e Guedes tentaram boicotar de todas as formas a existência do auxílio”. Ela lembra que o governo defendia apenas R$ 200 no ano passado, e acabou derrotado na Câmara. Para a deputada, o fato de Lira estar declarando que um auxílio precisa ser votado o quanto antes não significa que eles (ele e Bolsonaro) estão rompendo, mas que existe uma pressão social nessa direção. “A questão é garantir que o valor do auxílio emergencial seja no mínimo os R$ 600. Mas se depender de Bolsonaro e Lira, o auxílio será bem menor, e ainda condicionado a medidas de ataque a direitos dos trabalhadores”, diz Melchionna, autora de emenda que, em 2020, autorizou o duplo benefício para chefes de família monoparentais.

Tudo ao deus mercado

Enquanto isso, a preocupação exclusiva do governo Bolsonaro, Paulo Guedes e sua equipe econômica é com o mercado financeiro. Em videoconferência dirigida a investidores internacionais, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na quarta-feira (10) que, se for feito mais um pacote fiscal “sem nenhuma contraparte, a mensagem que será passada é que a trajetória da dívida vai continuar a subir, e o prêmio de risco que os investidores vão pedir para manter a dívida brasileira pode ter um efeito”, segundo a CNN Brasil. A afirmação pode ser traduzida como uma ameaça de aumento de juros.

No mesmo dia, o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) comentou no Twitter a aprovação da autonomia do BC. “Esse é o resultado da dobradinha Bolsonaro e Centrão no comando da Câmara. Famílias estão passando fome e a pauta é a autonomia do Banco Central”, escreveu.