Oposição protocola o 62º pedido de impeachment contra Bolsonaro

A oposição ao governo Bolsonaro, na Câmara dos Deputados, apresentou, nesta quarta-feira (27), mais um pedido de impeachment contra o presidente da República. Desta vez, a investida é com base no comportamento negligente e omisso do governo, que soube com 10 dias de antecedência que faltaria oxigênio nos hospitais de Manaus, como já fartamente noticiado. Esse será o 62º pedido de impeachment remetido à Presidência da Câmara dos Deputados. De acordo com o líder da bancada do Partido dos Trabalhadores, deputado Enio Verri (PR), o comportamento do presidente foi ostensivamente de desprezo pelas vidas perdidas, asfixiadas por falta de oxigênio.

“Quando um agente público tem conhecimento de um fato e não toma atitude alguma sobre o assunto, ele pode ser enquadrado no crime funcional de prevaricação. Ora, Bolsonaro e Pazuello souberam mais de uma semana antes que faltaria oxigênio e não se mexeram para resolver a demanda. Abandonaram a população”, diz Verri.

Pouco antes do caos da saúde no Amazonas, o governo foi ao estado para uma pesada e coercitiva campanha de recomendação do uso de medicamentos de ineficácia e ineficiência cientificamente comprovadas. O site do Ministério da Saúde oferecia um aplicativo que recomenda o uso de cloroquina, ivermectina, azitromicina, até para bebês. De acordo com o deputado, há um conjunto de fatores ocorridos durante a pandemia que revelam o comportamento inadmissível de um governo que concorre deliberadamente para que o número de mortos não cesse.

“Infelizmente, o impeachment é uma medida extrema, de difícil decisão e de consequências difíceis. Porém, o Brasil é grande demais para se permitir ser asfixiado por alguém cuja aspiração máxima é ser um pária mundial. É urgente impedir que Bolsonaro mais brasileiros”, declara Verri.