Orçamento 2022 não prevê o aumento do Bolsa Família

Proposta da equipe de Guedes também não prevê aumento real do salário mínimo e corta no orçamento da saúde para o próximo ano, mesmo com a pandemia

Gráfico: Valor

A Câmara dos Deputados recebeu a nova proposta do orçamento para o ano de 2022. É o Projeto de Lei Orçamentária Anual chamada PLOA, que esse ano veio com a cara do presidente Bolsonaro e do ministro da Justiça Paulo Guedes. Os valor previsto para o Bolsa Família (mudado de nome para Auxílio Brasil pelo Governo) será o mesmo valor do programa, R$ 34,2 bilhões, como em 2021.

Para o deputado federal Enio Verri, o valor impede que o Governo cumpra o que anunciou sobre o novo benefício. “O presidente afirmou que iria pagar o valor de até R$ 300 do benefício. A conta não fecha, porque com o mesmo recurso do ano vigente, ou terá que cortar no aumento que tornou público ou no número de pessoas que recebem e precisam desse dinheiro para sobreviver. Um erro que mostra que a equipe econômica de Guedes não sabe fazer contas ou não liga para os mais pobres”, ponderou o parlamentar.

O orçamento também não leva em conta a pandemia do Covid-19 , que já causou mais de 580 mil mortes. Mesmo assim, o governo vem diminuindo recursos da saúde pública ano a ano, e propõe uma corte de R$ 44 bilhões para a área em 2022.

“Infelizmente, nada de novo. Assim como houve corte no orçamento da Saúde para este ano, para 2022 foi reduzido novamente. Mesmo ainda sem sair do quadro de pandemia, desde 2020, o governo cortou recursos do SUS ano passado, cortou este ano e apresentou uma redução de R$ 44 bilhões para o ano que vem. Com um detalhe gravíssimo, não há previsão para recursos específicos ao combate da Covid-19”, afirmou Enio Verri.

Nessa mesma linha de orçamento desconexo com a realidade, o documento coloca o salário mínimo. O trabalhador terá o salário mínimo reajustado em R$ 69, resultando no valor total de R$ 1.169. Vai apenas repor a inflação de 6,27%, sem nenhum aumento real.

Por fim, o projeto enviado pelo governo coloca as despesas discricionárias em valores mínimos históricos. Isso reduz a capacidade tanto de investimento público, quanto a manutenção dos serviços públicos. Alguns economistas já alertam que com investimentos previstos no PLOA de R$ 25,7 bilhões afetam a retomada econômica, a geração de emprego e desestimula o investimento privado no país.

“Esse orçamento vai deixar o poder de compra do assalariado muito menor. A prioridade da equipe de Paulo Guedes ficou bem clara com a peça enviada ao Legislativo. Estamos em um Brasil que mantém recorde de desemprego e que voltou ao mapa da fome. Precisa de um Estado que cuide da população”, disse o deputado paranaense.

A solução terá que ser formulada na Câmara dos Deputados. As renúncias fiscais e as prioridades do Executivo terão de serem revistas. A oposição defende uma flexibilização do teto de gastos, para permitir que os investimentos públicos possam reaquecer a economia do país.

Foto destacada: Agência Brasil

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