Paranaenses já começam a pagar pela reforma da Previdência

É lamentável que os paranaenses tenham mais motivos para saberem que foram enganados por Bolsonaro, com a silenciosa parceria do governador, Carlos Massa Ratinho Júnior. Para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da tal nova política negociou R$ 40 milhões em emendas para os parlamentares que apoiassem a proposta que vai transferir um sistema previdenciário superavitário para os bancos venderem plano de previdência privada. Dos supostos R$ 933 bilhões de economia pretendida, cerca de R$ 750 bilhões serão pagos por privilegiados que recebem até dois salários mínimos. As idades mínimas de 60 e 65 anos e tempo mínimo de 20 anos e não mais 15 anos de contribuição, para se aposentar, é condenar serventes, cortadores de cana, motoristas, enfim, a grande maioria da classe trabalhadora, a morrer sem se aposentar.

Para pagar o que prometeu aos patrióticos deputados, Bolsonaro pediu ao Congresso, e foi imediatamente atendido, uma suplementação de R$ 3 bilhões, da qual o Paraná vai contribuir com quase R$ 90 milhões de cortes em investimentos já projetados. As universidades federais, da Integração Latino Americana; Tecnológica Federal do Paraná e o Instituto Federal do Paraná perderão R$ 18.354.400 em ações de Reestruturação e Modernização das Instituições e Funcionamento dos institutos de Educação Profissional e Tecnológico. A política de descaso com a Educação apenas reforça o caráter retrógrado e fundamentalista do atual governo, que vê a educação não como a saída para o desenvolvimento, mas como uma inimiga a se combater.

Bolsonaro tirou da educação para comprar votos de parlamentares simpáticos em aprofundar a miséria. Em mais de 80% dos municípios do Brasil e, também, do Paraná, a participação no PIB do pagamento de aposentadorias e pensões, pela Seguridade Social, é determinante para a economia de pequenos e médios municípios. Em alguns casos, o conjunto dos valores pagos passa de 60% do PIB. É uma deliberada política para conduzir o Brasil ao mais absoluto atraso, transformando-o no sonho da elite brasileira, numa grande fazenda a serviço do desenvolvimento de nações com as quais ela se identifica. Porém, como se já não fosse o suficiente, os paranaenses não perderam apenas na educação, mas também em infraestrutura e serviço de segurança pública.

Duas obras importantes para o Paraná, que já vinham sendo interrompidas, sofreram um duro golpe. As construções do trecho rodoviário, Porto Camargo–Campo Mourão e do contorno rodoviário Maringá-Paiçandu-Sarandi–Marialva terão um corte de quase R$ 53 milhões. Obras que gerariam empregos e fariam a economia local girar têm o orçamento reduzido para se aprovar uma política de redução do Estado, que em nada vai contribuir para criar um único emprego. Pelo contrário, com menos dinheiro e circulação, as vendas o comércio declinarão e se criará menos empregos, bem como a arrecadação dos municípios será menor. No dia 24 de junho, um dia antes da greve, policiais civis e delegados realizaram um protesto, estacionado dezenas de veículos de uso da polícia, em péssimo estado de conservação. Bolsonaro retirou do fortalecimento e modernização das instituições de Segurança Pública quase 17 milhões. Esse valor será utilizado pelos deputados que apoiaram a reforma da Previdência, no encaminhamento de emendas ao bel prazer de cada um.

O Brasil está retrocedendo em vários campos, com danos mais imediatos e severos no econômico e no social. Desde 2016, a nação foi jogada em uma espiral negativa que a está conduzindo para uma condição que não cabe a quem, até pouco tempo, foi a sexta economia mundial. O País possui recursos energéticos e tecnologia para se desenvolver. Porém, está sob um governo reacionário, anti-Brasil, cujas ideias encontram respaldo no governo Ratinho, prosélito dessa política que está tirando do Paraná para financiar um projeto da elite. Pauta de indignação é o que não falta. O que está faltando mesmo são ruas periodicamente entupidas de gente contra a barbárie. Os paranaenses não podem admitir que o governador permita serem prejudicadas as produções científica e tecnológica do estado para satisfazer o lucro do sistema financeiro.