Representante de militares: “Bolsonaro nos traiu, PSOL e PT nos defenderam”

As cenas de comoção protagonizadas por militares graduados da reserva circularam freneticamente nas redes sociais, na terça-feira 29. Naquele dia, vários deles foram à Câmara pressionar os deputados federais para tentar reverter as perdas que o projeto de reforma da Previdência criado pelo governo impôs a essa fatia das Forças Armadas. O esforço foi em vão.

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Muitos deles foram às lágrimas e se sentiram traídos pelo presidente Jair Bolsonaro, a quem apoiaram fervorosamente na corrida eleitoral. “Na campanha, ele prometeu que ia resolver a questão salarial, disse que o salário dos sargentos está muito baixo”, comenta Adão Farias, sargento da Aeronáutica da reserva e diretor de coordenação política da Federação Nacional dos Militares Graduados Inativos das Forças Armadas. “Mas aí, olhamos o projeto da reforma da Previdência e constatamos que estava beneficiando somente a cúpula”.

Os graduados não gostaram de ver que o governo privilegiou os oficiais superiores, enquanto eles tiveram reduzidos os valores de adicionais de disponibilidade (ganho pelo fato de o militar ser obrigado a ficar completamente disponível para a força) e habilitação (recebido de acordo com os cursos feitos por cada um), além de outros benefícios.

Em uma reviravolta surpreendente, os militares que antes colocavam fé em Bolsonaro foram defendidos na votação da Câmara por deputados do PSOL e do PT. “A sargentada representa 80% da tropa”, afirma Farias, em entrevista à coluna. “Com esses, o presidente perdeu seu capital político para sempre”. Leia a íntegra da entrevista publicada no UOL