Sob a indiferença da nação

Desde 2014, por meio de uma insidiosa campanha conduzida por interesses privados, nacionais e estrangeiros, uma novela, chamada Lava Jato, levou a sociedade brasileira a acreditar que a Petrobras está quebrada. Todos os dias, os maiores veículos de comunicação do País a expuseram e ainda a expõe negativamente, numa nova operação, ou capítulo, de uma farsa que está entregando uma das grandes petroleiras mundiais. Cobiçada por outras estatais do mundo inteiro, ela possui uma reserva de petróleo, descoberta com tecnologia desenvolvida pelos brasileiros, que vale cerca de US$ 8 trilhões. Dispensar essa riqueza, mansamente, não é atitude de uma nação soberana.

O Brasil seguiu a trilha da soberania, durante os governos do Partido dos Trabalhadores. As empresas estatais, de um modo geral, foram todas valorizadas. O Brasil passou da 16ª para a 6ª economia mundial muito menos com os investimentos da iniciativa privada que com a presença do Estado. O PT utilizou a pujança e a expertise das estatais brasileiras para transpor o Rio São Francisco; distribuir 7,5 milhões de brasileiros em 3,5 milhões de lares; colocar mais de quatro milhões de estudantes nas universidades; construir um moderno acelerador de partículas; enviar mais de 100 mil estudantes para estudar no exterior, entre outras políticas voltadas para o desenvolvimento do País, que o tornou mais respeitado na comunidade internacional.

Os grandes veículos de comunicação mentiram para a sociedade e isso é crime. Em 2015, a Petrobras valia R$ 214 bilhões, mais de quatro vezes o que valia, em 2003. O Pré-sal foi descoberto em 2006 e, em 2008, já produzia quase 50 mil barris de óleo por dia. Em 2015, a produção diária do pré-sal se aproximava dos dois milhões de barris e a Petrobras recebeu o maior prêmio que uma petroleira do seu porte pode receber, justamente por desenvolvimento de tecnologia. Talvez, de posse dessas informações sonegadas pelos grandes jornais, a sociedade não aceitasse tão passivamente o desmonte da empresa, que ocorre desde o golpe.

Uma das primeiras medidas dos golpistas, ainda em 2016, foi retirar da Petrobras a condição de operadora exclusiva do pré-sal. Ou seja, Temer e seu ministério de notáveis entreguistas abriram o pré-sal para empresas de outros países. É um patrimônio da nação, que investiu em todo o desenvolvimento tecnológico para a Petrobras ser a campeã mundial de prospecção e exploração de petróleo em águas ultraprofundas. Agora, Temer está entregando o barril de petróleo a estatais estrangeiras, a R$ 0,26, quando ela pode vender, no barato, a US$ 40. Isso tem nome, chama-se crime de lesa-pátria. Num País onde a Suprema Corte não participasse de convescotes com esse mercado, Temer já estaria preso e o patrimônio restituído.

Já foram entregues diversos campos de petróleo, nos quais a Petrobras ficará com ínfimas partes. Quem está levando o petróleo brasileiro são as estrangeiras Petrogal, Statoil, Shell, BP Energy, ExxonMobil e Chevron. É uma sangria sem fim para, realmente, destruir o patrimônio brasileiro e solapar, de vez, a possibilidade de este País ser soberano. O ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, não satisfeito em vender R$ 200 bilhões de ativos da empresa, sem necessidade alguma, entrou na justiça para não ter de prestar esclarecimentos sobre a venda do patrimônio brasileiro. O motivo divulgado pelos jornais o de foi uma dívida da empresa, de US$ 60 bilhões. Porém, a empresa vale mais de R$ 200 bilhões e, o pré-sal, US$ 8 trilhões.

Mais um grande golpe pode ser desferido pelo atual governo. A Lei 12.276/2010 trata do sistema de Cessão Onerosa, pelo qual a Petrobras tem o direito de explorar até cinco bilhões de barris de petróleo, na área da cessão. A Petrobras não pode licitar a área cedida. Porém, tramita no Senado, o PLC 78/18, de autoria de um deputado consorciado do golpe de 2016 e notório entreguista. Ele permite à Petrobras vender até 70% da área cedida. Uma empresa estrangeira, que não é absolutamente em nada superior à Petrobras, terá o direito de explorar o que a nossa empresa descobriu com tecnologia nacional. E a sociedade convencida de que Lula e o PT destruíram a Petrobras.

De acordo com o vice-diretor de Comunicação da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Fernando Siqueira, caso o projeto seja aprovado, será muito vantajoso para empresas estrangeiras e péssimo para a Petrobras e para o Brasil. Durante audiência pública, na Câmara dos Deputados, no dia 04 de dezembro, Siqueira afirmou que, de apenas um poço, as empresas estrangeiras sairão dele com 22 bilhões e não com 17 bilhões de barris. Segundo o diretor, outros países serão donos de US$ 800 bilhões do nosso pré-sal, o passaporte para o nosso futuro, como disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O País está sendo desmantelado e entregue a interesses de outras nações, sob o olhar indiferente de um povo que parece não ter nada a ver com isso. Inacreditável.