Verri apoia o Dia Internacional de Luta Pela Terra

Realizou-se, na manhã desta quarta-feira (17), no Plenário da Câmara dos Deputados, sessão solene em homenagem ao Dia Internacional de Luta Pela Terra. A data marca os 23 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 trabalhadores foram assassinados pela Polícia Militar do Pará, em um trecho da BR 155, chamado curva do “S”. Membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile ressaltou que a homenagem não é apenas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, mas a toda luta pela terra e pela reforma agrária, “desde que os capitalistas europeus aqui chegaram”, em 1500. Segundo ele, o mês é um marco não apenas do massacre de Eldorado dos Carajás.

“Abril é um mês especial para a causa. Dia dez marcam os cem anos do assassinato de Emiliano Zapata, que liderou uma revolução no México cuja bandeira, terra para quem nela trabalha, se popularizou no Brasil pela Comissão Pastoral da Terra”, declarou Stédile.

Para o deputado federal, Enio Verri, a sessão solene é mais que uma homenagem, mas marca um posicionamento político numa Câmara de Deputados tomada pelo latifúndio e por uma crescente onda de autoritarismo que visa criminalizar os movimentos sociais. O deputado lembrou que é muito comum a tribuna ser ocupada por representantes desses setores retrógrados para acusar o MST e outros movimentos sociais de terroristas. Para ele, quem pratica terrorismo são os latifúndios rurais e urbanos, que concentram terras, imóveis prediais e poder político que mantém os privilégios de uma diminuta elite.

“Reafirmar, no Plenário da Câmara dos Deputados, vinte e três anos depois, a denúncia de um massacre impune de dezenove trabalhadores rurais é uma maneira de fazer as instituições públicas registrarem, oficialmente, essa denúncia. A atual conjuntura nos faz reviver um período tenebroso da nossa história. Forças reacionárias acusam o MST de terrorismo, mas esquecem de dizer que, durante todos os anos de luta pela terra, o sangue derramado foi sempre o do lado de quem, hoje, é o maior produtor de arroz sem agrotóxico da América Latina, o MST”, declara Verri.