Verri defende universidades federais de críticas desferidas pelo ministro da Educação

O deputado Enio Verri (PT-PR), defendeu nesta quarta-feira (28), as universidades federais de ataques desferidos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que debateu o programa Future-se. Após afirmar que o programa vai dar liberdade de arrecadação para as universidades federais, o ministro criticou um suposto excesso de gastos nas universidades federais na comparação com instituições privadas. Ele disse ainda que existe muita ineficiência nas federais, porém em nenhum momento citou a crise financeira que assola as instituições justamente pela redução no repasse de recursos imposto pelo atual governo.

Em resposta ao ministro, o deputado Enio Verri – que também é professor de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – destacou que a comparação entre os gastos das universidades federais e privadas “é injusta”. Segundo ele, o papel de cada segmento é diferente. “Não dá para comparar, porque basicamente apenas as universidades federais, e as públicas, fazem pesquisa, principalmente em ciência, tecnologia e inovação, com raríssimas exceções entre as universidades privadas. Portanto, não se pode comparar custos”, explicou.

O ministro da Educação disse ainda que, se comparado a outros setores da administração pública, a folha de pagamentos das universidades federais é muito grande. O deputado Enio Verri ressaltou que a comparação não faz sentido. Segundo ele, a folha de pagamento é alta “porque é justamente a mão de obra das universidades que dá resultado”, diferentemente do setor público que “muitas vezes tem entre seus gastos insumos para realizar obras públicas”.

O petista ainda questionou declaração do ministro que insinuou que os professores de universidades federais trabalham menos em sala de aula do que os professores de universidades particulares. “Os professores das universidades federais muitas vezes atuam em pesquisa nas próprias instituições, por isso trabalham menos em sala de aula, diferente dos professores de universidades privadas, que apenas dão aula”, detalhou.

Na sequência de críticas às universidades federais, o ministro afirmou que a evasão nas instituições é muito grande, e que isso afeta a relação custo/aluno. Por sua vez, o deputado paranaense reconheceu que é preciso estudar as causas da desistência dos estudantes antes da formação. Porém, ele lembrou que o simples estímulo à permanência dos estudantes até o final da graduação já reduziria o alto custo/aluno causado pela evasão.

Investimento em pesquisa
Ao indagar o ministro sobre os investimentos em pesquisa com o Future-se, Enio Verri questionou o ministro sobre uma possível diferenciação na captação de recursos privados para essa atividade. “Será que não vai haver distinção na atração de investimentos privados para as pesquisas de ciência aplicada (utilizada para resolver problemas do cotidiano), que dá retorno rápido para as empresas, em relação à ciência pura (voltada ao conhecimento e desenvolvimento de teorias)?”, indagou.

Após responder que “as universidades federais produzem muita pesquisa”, mas que “tem muita porcaria sem importância alguma”, o ministro da Educação observou que para tentar evitar um desequilíbrio na atração de investimento, o MEC vai dar uma “premiação” – sem especificar valores – para pesquisas em ciência pura que forem divulgadas em publicações especializadas.

Héber Carvalho