Verri diz que nova Previdência vai deixar os trabalhadores mais pobres e os bancos mais ricos

Ampla frente contra o retrocesso

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, criada em 2016, realizou, na quarta-feira (20), o seminário “PEC 06/2019: O Desmonte da Previdência Social Pública e Solidária”, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados. De acordo com os organizadores, o objetivo do seminário foi o de instrumentalizar a luta contra o fim da Previdência Social Pública. O evento teve o apoio de mais de 100 entidades ligadas à classe trabalhadora, da iniciativa privada e das carreiras públicas.

O deputado federal Enio Verri (PT) declarou que o objetivo dessa reforma não é outro senão deixar os trabalhadores mais pobres e os bancos mais ricos. De acordo com ele, a capitalização destrói todo o projeto previdenciário e de solidariedade construído pela Constituição de 88 e faz com que cada trabalhador desconte individualmente uma contribuição mensal, para uma conta de previdência peivada, sem contribuição patronal, sem a participação do Estado brasileiro. Dados das entidades representativas dos trabalhadores da área fiscal, como a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), do R$ 1,1 trilhão de economia pretendida, 80% serão pagos por quem ganha até dois salários mínimos.

“Então, o trabalhador, sozinho, quando terminar o tempo de trabalho, tentará se aposentar com o que ele pagou. É muito comum, ao longo da vida, trabalhadores ficarem períodos desempregados. Nesse sentido, corre-se o risco de o trabalhador não ter fundo algum para se aposentar. É necessário denunciar esse golpe contra a população”, declara Verri.

Já o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), seccional do Paraná, Márcio Kieller, está confiante no diálogo com a classe trabalhadora. De acordo com ele, justamente pelo fato da mobilização dos trabalhadores estar acima das expectativas, o governo tenta desmobilizar os trabalhadores, “colocando bodes na sala”, como a MP 873, que não tem relevância nem urgência, mas enfraquece os sindicatos. Para Kieller, além de a proposta ser deletéria econômica e socialmente, o governo foi autoritário por não ter chamado as entidades trabalhistas e os movimentos sociais para debater o tema.

“Temos a certeza de que essa movimentação vai facilitar o debate com os comitês locais, os vereadores e prefeitos, para fazer pressão aqui, no Congresso. Estamos otimistas e convocamos toda a classe trabalhadora para comparecer às ruas, no dia 22, que será um dia importante para consolidar essa movimentação contra a reforma da Previdência”, declara Kieller.